Rostos de Nahaty, Rose, Tom e Ricardo Jucá, em fotos lado a lado.

Acusado de matar esposa grávida e sogros vai a júri nesta terça em Nova Friburgo

Ricardo Pinheiro Jucá Vasconcelos alegou surto, depois de atirar contra toda a família

Quase cinco anos depois de um crime que atingiu uma família inteira, sete cidadãos terão a responsabilidade de decidir se Ricardo Pinheiro Jucá Vasconcelos deverá ser condenado ou absolvido pelas mortes da esposa grávida e dos sogros. O julgamento começa nesta terça-feira, 16 de junho, em Nova Friburgo, e tem previsão de prosseguir na quarta-feira, dia 17. O réu, que exercia a função de tabelião, será levado ao Tribunal do Júri pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Ricardo é acusado de matar Nahaty Gomes de Mello, que estava grávida, e os pais dela, Rosemary Gomes de Mello e Wellington Braga Mello, dentro da residência da família, em agosto de 2021. Segundo a denúncia apresentada pelo MPRJ, Nahaty e Rosemary morreram no local após serem atingidas por disparos. Wellington chegou a ser socorrido e permaneceu internado durante semanas, mas também não resistiu. As acusações serão analisadas pelos jurados. Até a conclusão do julgamento, Ricardo deve ser tratado juridicamente como acusado, e não como condenado.

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A capacidade mental do réu será ponto central

Uma das principais disputas do julgamento estará concentrada no estado mental de Ricardo no momento dos crimes. Ao ser preso, ele alegou ter sofrido um “surto”. A tese busca discutir se possuía ou não plena capacidade para compreender os próprios atos e agir de acordo com esse entendimento. O Ministério Público sustenta posição diferente. A acusação afirma que Ricardo era capaz de entender o que estava fazendo e deverá apresentar aos jurados um laudo psiquiátrico produzido durante o período em que ele estava sob custódia. De acordo com as informações divulgadas pelo MPRJ, o exame concluiu que o réu não apresentava transtorno mental e estava apto a exercer os atos da vida civil. O documento será usado pela Promotoria para contestar a alegação de incapacidade. A defesa, por sua vez, poderá apresentar sua própria interpretação dos fatos, questionar provas e sustentar as teses que considerar adequadas durante o plenário. A conclusão sobre a responsabilidade criminal não será tomada apenas com base em uma declaração ou em um único documento. Os jurados acompanharão depoimentos, interrogatório, provas periciais e os argumentos apresentados pelas duas partes.

Por que o julgamento será decidido por cidadãos

Crimes dolosos contra a vida são julgados pelo Tribunal do Júri. Nesse modelo, a decisão principal cabe a um conselho formado por sete jurados escolhidos entre cidadãos convocados pela Justiça. Eles deverão responder aos quesitos apresentados ao final dos debates, decidindo se os fatos ocorreram, se o acusado participou deles e se deve ser condenado ou absolvido. O juiz que preside a sessão organiza os trabalhos, resolve questões jurídicas e, em caso de condenação, define a pena de acordo com as respostas dadas pelos jurados e as regras previstas na legislação. Como o processo envolve três vítimas e teses que exigirão análise de laudos e depoimentos, o julgamento foi programado para dois dias. A duração, entretanto, pode variar conforme a quantidade de testemunhas, o tempo utilizado pela acusação e pela defesa e eventuais questões levantadas durante a sessão.

Um julgamento que ultrapassa a discussão sobre o “surto”

Embora a capacidade mental do acusado deva ocupar parte importante dos debates, os jurados também terão de examinar o conjunto do caso. O Ministério Público deverá reconstruir os acontecimentos de agosto de 2021 e apresentar os elementos que, segundo a acusação, demonstram a responsabilidade de Ricardo pelas três mortes. A defesa poderá contestar essa narrativa, discutir as circunstâncias dos fatos, a condição do réu e a validade ou interpretação das provas reunidas no processo. O Tribunal do Júri não decidirá se o crime causou dor ou comoção — consequências evidentes para quem perdeu três integrantes da mesma família. A função dos jurados será responder, a partir das provas apresentadas no processo, se a acusação foi demonstrada.

Resultado poderá sair na quarta-feira

A expectativa é de que o julgamento seja concluído na quarta-feira, 17 de junho, depois dos depoimentos, do interrogatório do acusado e dos debates entre Ministério Público e defesa. Depois disso, os jurados se reunirão para votar os quesitos em uma sala reservada. Os votos são sigilosos. Se houver condenação, a sentença e a pena serão anunciadas pelo juiz presidente. Em caso de absolvição, o réu será liberado em relação a este processo, salvo se existir outro motivo legal para mantê-lo preso. O resultado poderá ser questionado por meio dos recursos previstos na legislação. O julgamento desta semana, portanto, representa uma etapa decisiva do processo, mas não necessariamente o encerramento definitivo da discussão judicial.

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