Renderização de um parque infantil em área urbanizada, com árvores, brinquedos e churrasqueira.

Após anos de abandono, região “xodó” do Rio inicia transformação histórica com megaobra

Investimento de mais de R$ 70 milhões vai levar saneamento, pavimentação, áreas de lazer e contenção de encostas para regiões marcadas por esquecimento estrutural

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Quem mora em comunidade conhece o significado de conviver com lama na porta de casa, esgoto correndo perto das crianças, ruas escuras e medo quando a chuva aperta. Para muita gente da Zona Oeste do Rio, essa rotina virou algo tão comum que parecia impossível imaginar mudança real.

Neste domingo (24), o cenário começou a dar sinais de que pode finalmente mudar.

A Prefeitura do Rio lançou as obras de urbanização das comunidades do Bateau Mouche e Chacrinha do Mato Alto, na região da Praça Seca, em Jacarepaguá. O investimento ultrapassa R$ 70 milhões e promete mexer diretamente na vida de mais de 15 mil moradores.

O anúncio não envolve apenas concreto, asfalto e máquinas. O que está sendo vendido ali é outra ideia de cidade: uma em que moradores de favela deixem de viver apenas “resolvendo problema” todos os dias para finalmente terem acesso ao básico.

Água chegando nas casas de forma regular. Esgoto tratado. Ruas menos perigosas. Escadas mais seguras. Menos barro. Mais iluminação. Espaços para crianças brincarem sem improviso.

Para quem vive nessas regiões, isso muda completamente a rotina.

As obras fazem parte do programa Morar Carioca e devem seguir até 2028. No Bateau Mouche, as primeiras intervenções começam nas localidades Fazenda do Mato Alto e Bela Vista do Mato Alto. Já na Chacrinha do Mato Alto, o projeto também prevê uma grande reformulação urbana.

As duas comunidades vão receber redes de abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem, iluminação pública, pavimentação e contenção de encostas. Em áreas onde dias de chuva costumam significar preocupação, o reforço estrutural pesa tanto quanto qualquer outra promessa.

Outro detalhe chama atenção: o projeto aposta forte em áreas de convivência. Academias da Terceira Idade, parques infantis, quiosques e espaços públicos entram no planejamento. Parece detalhe pequeno para quem vê de fora. Para quem vive em locais historicamente esquecidos, significa recuperar convivência, lazer e sensação de pertencimento.

O prefeito Eduardo Cavaliere afirmou que o Morar Carioca é uma das iniciativas mais transformadoras da Prefeitura justamente porque atinge comunidades que passaram décadas esperando investimentos estruturais.

Segundo ele, as obras representam uma mudança profunda no cotidiano dos moradores e não apenas uma intervenção pontual.

O secretário municipal de Habitação, Cláudio Dutra, também destacou que a proposta é melhorar diretamente a qualidade de vida das famílias, ampliando acesso à infraestrutura e serviços urbanos.

Na prática, o impacto vai além da paisagem.

Quando uma comunidade recebe saneamento, iluminação e urbanização, muda também a circulação de pessoas, o comércio local, a sensação de segurança e até a valorização da região. Crianças passam a brincar em áreas adequadas. Idosos conseguem circular com menos dificuldade. Ambulâncias e serviços chegam com mais facilidade.

Em muitas comunidades do Rio, moradores cresceram ouvindo promessas parecidas. Por isso, existe expectativa, mas também cautela. O que muita gente quer agora é acompanhar se o ritmo das obras vai corresponder ao tamanho da transformação anunciada.

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