Antes até do “Bom dia”, o gole no cafezinho vira prioridade. Antes do ônibus, da obra, da escola, da loja abrir, do comércio acordar. Em muitas casas do Rio, principalmente no fim do mês, o café continua sendo um dos poucos itens que nunca deixam a mesa.E talvez por isso a notícia tenha causado tanto desconforto entre consumidores do interior fluminense nesta semana.Uma operação de fiscalização encontrou mais de 240 quilos de café adulterado ou considerado inadequado para consumo sendo comercializados em cidades do estado. As apreensões aconteceram em Miracema, Barra do Piraí, Santo Antônio de Pádua e Três Rios.A sensação entre muitos consumidores é de indignação silenciosa. O preço do café disparou nos últimos anos, virou item controlado no orçamento doméstico e, justamente nesse cenário, cresce o medo de que parte do produto vendido esteja longe daquilo que aparece na embalagem.Segundo os órgãos de fiscalização, os produtos apresentavam irregularidades e sinais de fraude. Em casos assim, o chamado “café adulterado” pode conter mistura de ingredientes como milho, cevada, cascas, palha e resíduos vegetais adicionados de maneira irregular ao produto final.Na prática, o consumidor paga por café e leva outra coisa para casa.A operação faz parte da força-tarefa “Café Real”, criada pela Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e pelo PROCON-RJ para tentar frear a circulação desse tipo de mercadoria no mercado fluminense.Desde o início das ações, mais de 16 toneladas de produtos adulterados ou impróprios para consumo já foram retiradas de circulação no estado.O número impressiona porque mexe diretamente com um hábito profundamente brasileiro. O café está presente em praticamente toda rotina: na cozinha simples, no escritório, no balcão da padaria, na pausa do trabalho pesado e até nas conversas rápidas do dia a dia.Quando existe suspeita de fraude nesse tipo de produto, o impacto vai além do prejuízo financeiro. Cresce também a desconfiança sobre aquilo que chega à mesa das famílias.A fiscalização percorre desde indústrias torrefadoras até supermercados e mercados menores. O trabalho conta com apoio técnico da Associação Brasileira da Indústria de Café.De acordo com as regras do Ministério da Agricultura, existe limite extremamente baixo para impurezas naturais provenientes da própria lavoura. Já qualquer mistura proposital com outros ingredientes é considerada irregular.Nas cidades onde houve apreensão nesta semana — Miracema, Barra do Piraí, Santo Antônio de Pádua e Três Rios — o assunto rapidamente começou a circular entre moradores, comerciantes e consumidores preocupados com a qualidade do produto comprado diariamente.Em muitos casos, identificar um café adulterado não é simples. Alterações no cheiro, sabor excessivamente amargo, coloração estranha ou rendimento fora do normal podem servir de alerta, mas nem sempre são perceptíveis para quem compra.Enquanto isso, a operação continua ampliando fiscalizações em diferentes regiões do Rio de Janeiro justamente porque o mercado clandestino tenta aproveitar o aumento no preço do café para ampliar lucros de forma ilegal.No fundo, a sensação que fica para muita gente é desconfortável: até o cafezinho, símbolo tão comum da rotina brasileira, virou motivo de preocupação.