Comunidade lotou o plenário após articulações para barrar homenagem e até pedido de vereador para não irem à Câmara; veja os detalhes que ninguém revelou sobre a votação
O nome aprovado na última terça-feira, 26 de maio, na Câmara de Nova Friburgo não representa apenas uma homenagem. Para muitos moradores de Lumiar e São Pedro da Serra, representa o fim de uma batalha silenciosa que atravessou anos de cobranças, reuniões, tragédias e pressão popular.
Depois de três votações, os vereadores aprovaram que o futuro Posto de Urgência e Emergência de Lumiar receba o nome de Isadora Stulpen, menina que faleceu em 13 de dezembro de 2025 em meio à ausência de estrutura de emergência na região.
A história por trás do nome carregava tensão dentro e fora da Câmara.
Moradores chegaram ao plenário no final da tarde temendo uma possível tentativa de inviabilizar a homenagem. O clima ficou ainda mais delicado após circular, nos bastidores, uma carta atribuída à associação de moradores pedindo anulação das votações e uma assembleia para discutir o nome da unidade. O documento, segundo vereadores presentes, sequer chegou a ser lido oficialmente durante a sessão.
O receio da população aumentou porque, segundo relatos colhidos pelo EcoSerrano, houve orientação de um vereador aliado a Johnny Maycon para que moradores não comparecessem à votação.
A reação foi imediata.
Com medo de perder a homenagem construída coletivamente desde a morte de Isadora, moradores de Lumiar e São Pedro da Serra lotaram o plenário da Câmara, fizeram pressão e acompanharam cada voto em silêncio tenso.
E o placar mostrou o peso da mobilização.
Foram 15 votos favoráveis e apenas dois contrários.
Nos corredores da Câmara, o comentário entre moradores era praticamente o mesmo: sem pressão popular, o resultado poderia ter sido diferente.
“A comunidade inteira se mobilizou pelo posto durante anos. Depois da tragédia com a Isadora, esse nome passou a simbolizar tudo isso. Não era uma homenagem para família tradicional ou disputa política. Era um símbolo da nossa luta”, relatou um morador ouvido pela reportagem.
Segundo moradores, o projeto do posto já possuía recursos parlamentares destinados há cerca de oito anos, através do deputado federal Glauber Braga. Ainda assim, a unidade nunca saiu do papel naquele período.
A morte de Isadora acabou se tornando um marco doloroso para a região. Entre os relatos mais repetidos pelos moradores está justamente a dificuldade de atendimento de emergência e a ausência de ambulância adequada no momento em que a menina precisou de socorro.
Durante a sessão, vereadores também demonstraram desconforto com a repercussão pública da votação.
Nos bastidores, parlamentares chegaram a admitir reservadamente que “por eles, votariam contra”, mas a presença massiva da população influenciou diretamente na mudança de postura e no resultado final.
Houve resistência ao nome, inclusive por parte do vereador José Carlos Schuabb, representante político da região e um dos votos contrários à proposta.
Confira como votou cada vereador:
Votaram contra:
Carlinhos do Kiko — Não
José Carlos Schuabb – Não
Votaram a favor:
Angelo Gaguinho — Sim
Bruno Silva — Sim
Cascão do Povo — Sim
Christiano Huguenin — Sim
Cláudio Damião — Sim
Claudio Leandro — Sim
Dirceu Tardem — Não votou
Evandro Miguel — Sim
Ghabriel do Zezinho — Sim
Janio de Carvalho — Não votou
José Carlos Schuabb — Não
Maiara Felício — Sim
Maicon Gonçalves — Sim
Marcos Marins — Sim
Max Bill — Sim
Rômulo Pimentel — Sim
Tia Karla — Sim
Walace Piran — Sim
Não votaram: Isaque Demani e Joelson do Pote.
Para quem esteve no plenário, a votação ultrapassou a escolha de um nome.
Ela virou uma disputa simbólica sobre memória, abandono histórico da região e reconhecimento da mobilização popular que durante anos pressionou pela criação de uma estrutura de emergência em Lumiar.