Gata abandonada em estado grave na Estrada do Tingly, em Nova Friburgo, aguarda atendimento por suspeita de esporotricose.

Caso grave de esporotricose expõe falha no atendimento em Nova Friburgo

Prints vazam e mostram revolta de morador em contato com a Sebea: “não é com a gente”

Uma gata com sinais atribuídos à esporotricose permanecia, nesta segunda-feira, 8 de junho, em estado grave no meio da Estrada do Tingly, em Nova Friburgo, enquanto moradores tentavam descobrir qual órgão municipal deveria realizar o atendimento e o recolhimento do animal. O caso foi registrado na localidade conhecida como “Rodo”, nas proximidades do número 402. Segundo o relato encaminhado ao Portal EcoSerrano, o animal está bastante debilitado e precisa ser retirado da rua para avaliação veterinária, confirmação do diagnóstico e definição do tratamento adequado. O morador que pediu ajuda afirma que também contraiu esporotricose e está recebendo tratamento médico. Diante da situação, ele procurou a Secretaria Municipal de Bem-Estar Animal, a Sebea, solicitando que a gata fosse resgatada e encaminhada ao atendimento veterinário.

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Conforme relatado ao portal, a Sebea informou que ocorrências desse tipo seriam de responsabilidade da Vigilância em Saúde, por envolverem uma zoonose. Quando o morador perguntou como poderia entrar em contato com o setor por telefone, porém, teria recebido apenas a informação sobre o endereço, sem que a própria secretaria soubesse indicar um número para atendimento. A dificuldade deixa o cidadão em uma espécie de circuito entre órgãos justamente em uma situação que exige rapidez. Não se trata apenas do sofrimento de um animal abandonado: um gato com suspeita de esporotricose circulando em área pública pode entrar em contato com outros animais e pessoas. A esporotricose é uma infecção causada por fungos do gênero Sporothrix. A transmissão para seres humanos pode ocorrer pelo contato da pele ou das mucosas com secreções de animais infectados, além de arranhões e mordidas, sendo o gato o principal transmissor na forma zoonótica da doença. No Estado do Rio, a esporotricose animal passou a integrar a lista de doenças de interesse estadual e de notificação compulsória em 2025. Isso significa que os casos suspeitos ou confirmados precisam ser comunicados aos serviços responsáveis pela vigilância e pelo controle da doença.

Não há confirmação oficial de surto em Nova Friburgo

Embora moradores demonstrem preocupação com o possível avanço da doença, não há, até o momento, dados oficiais apresentados à reportagem que permitam afirmar que Nova Friburgo enfrenta um surto de esporotricose. Para que essa classificação seja feita com segurança, são necessários registros de casos humanos e animais, confirmação dos diagnósticos, análise do período em que ocorreram e avaliação epidemiológica da distribuição das ocorrências no município. O relato do Tingly, no entanto, aponta para a necessidade de o município informar quantos casos foram notificados recentemente, quais bairros apresentam ocorrências, onde os moradores devem buscar atendimento e qual setor é responsável pelo resgate de animais abandonados com suspeita da zoonose. A falta de um canal claro de comunicação também pode favorecer a subnotificação. Quando o morador não sabe a quem recorrer ou é encaminhado de um órgão para outro, o animal permanece sem atendimento e o possível caso pode nem chegar formalmente ao sistema de vigilância. A página oficial da Prefeitura de Nova Friburgo disponibiliza o telefone geral (22) 2525-9100, mas não foi localizado, na consulta realizada, um número específico e claramente identificado para o atendimento municipal de casos de esporotricose ou recolhimento de animais com suspeita da doença.

Morador critica desencontro entre os órgãos

O homem que pediu ajuda afirma que essa não seria a primeira vez que moradores encontram dificuldades para definir quem deve prestar atendimento diante de um animal em situação grave. “Pedimos ajuda e a resposta é que nunca a responsabilidade do resgate, do atendimento, é com eles; é sempre de outro setor. Mas, na hora de ir para as redes sociais, eles fazem um vídeo bonito, bem editado, e divulgam que participaram da ação de resgate o tempo todo e com agilidade. É mentira”, declarou ao EcoSerrano. A fala representa a avaliação do morador e precisa ser respondida pelos órgãos citados. Para além da divisão administrativa entre Bem-Estar Animal e Vigilância em Saúde, o cidadão precisa receber uma orientação objetiva: qual número deve acionar, quem recolhe o animal, para onde ele será levado e em quanto tempo a ocorrência será atendida. A esporotricose exige abordagem integrada porque envolve saúde humana, medicina veterinária, controle de zoonoses e manejo adequado dos animais. Mesmo que diferentes setores tenham atribuições específicas, essa separação não pode resultar na ausência de uma porta de entrada acessível para a população.

Animal morto não deve ser enterrado ou colocado no lixo

O morador também demonstrou preocupação com o destino da gata caso ela não resista. A orientação do Ministério da Saúde é que animais mortos com suspeita ou confirmação de esporotricose não sejam enterrados nem descartados no lixo comum. O corpo deve ser encaminhado a um serviço veterinário para incineração o mais rapidamente possível. O enterro inadequado pode permitir que o fungo permaneça no ambiente e aumente o risco de novas contaminações. Enquanto o animal aguarda atendimento, a recomendação é evitar o contato direto. Pessoas que precisem se aproximar por uma situação emergencial devem utilizar luvas e impedir que crianças, outros gatos ou cães tenham acesso ao local. O animal não deve ser manipulado sem proteção nem transportado de forma improvisada. Quem sofrer arranhadura, mordedura ou tiver contato da pele lesionada com secreções de um animal suspeito deve lavar a região e procurar uma unidade de saúde para avaliação. O diagnóstico e o tratamento de pessoas precisam ser conduzidos por profissionais de saúde. Até a publicação desta reportagem, a gata permanecia na Estrada do Tingly, segundo as informações repassadas ao EcoSerrano. O caso exige uma resposta imediata do município, tanto para o atendimento do animal quanto para esclarecer à população qual é o fluxo oficial diante de suspeitas de esporotricose em Nova Friburgo.

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