Grupo intitulado “Paralisação” teria presença de membro da Prefeitura

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Ao EcoSerrano, secretário confirmou, mas diz que nunca se manifestou ou liderou grupo de paralisação “Sou um observador da direita”

Na última segunda, 31, alguns vídeos circularam pelas redes convocando parte da população a não aceitar o resultado das eleições do último domingo, 30, em que o candidato Lula foi reeleito. Houve, inclusive, uma interdição da RJ 116, na altura do Véu da Noiva, na qual algumas pessoas atearam fogo em pneus, impedindo a passagem de veículos.

Sobre estas ações, o Ministério Público, por meio da Promotoria de Investigação Penal de Nova Friburgo, informou que está acompanhando em conjunto com o Comando do 11º BPM e com o Delegado titular da 151ª DP.  O órgão pretende coibir abusos nas manifestações e responsabilizar, criminalmente, os envolvidos.

“A promotoria esclarece que, embora a legislação garanta a liberdade de manifestação, expressão e de se exercer, com ordem, oposição política, não se pode, a pretexto de exercê-las, se insurgir contra os Poderes Constituídos, contra o Regime Democrático, nem se restringir a liberdade de ir e vir ou quaisquer direitos dos demais cidadãos”.

O  MPRJ informou ainda que nos últimos dias houve instauração de dois inquéritos policiais para apuração da prática dos crimes previstos nos artigos 286 e 359L do Código Penal. Duas pessoas foram conduzidas à delegacia para prestar esclarecimentos e houve deferimento de medida de busca e apreensão domiciliar pelo Juízo da Primeira Vara Criminal da comarca, no que tange a pessoas que vinham propagando a desordem no município e conclamando guerra civil e intervenção militar e, portanto, atentando contra a democracia.

“Desta forma, as autoridades locais reafirmam o seu compromisso em continuar a zelar pela ordem, pela integridade e pelos demais direitos da população, com eventual prisão em flagrante e responsabilização criminal dos envolvidos nos atos anti-democráticos, respeitando, no entanto, a liberdade de expressão, desde que exercida nos limites permitidos pela Constituição da República”, finalizou a nota.

Presença de Secretário em grupos de mensagens repercute

Nesta terça-feira, 1, a notícia de que o Secretário de Ciência e Tecnologia, o empresário e ex-candidato a prefeito, André Montechiari, estaria em grupos de Telegram e Whatsapp, onde teriam circulado mensagens incitando atos supostamente resistentes ao resultado das eleições chamou atenção do Ministério Público. A imagem que também circulou nas redes mostra o print de um grupo do Whatsapp, intitulado “Paralisação NF 2”, em que teria como um dos administradores o empresário, além de um deputado ligado à grupo de direita e familiares. No entanto, até o momento, não houve provas de mensagens incitando manifestações antidemocráticas.

Montechiari integra o quadro do Executivo desde março deste ano, quando passou a gerir a secretaria de Finanças. Em maio deste ano, o Secretário gravou um vídeo com o deputado federal Daniel Silveira em que o convidou para acompanhar a celebração dos 204 anos de Nova Friburgo. O convite foi muito contestado por parte da sociedade friburguense porque o parlamentar havia sido condenado à prisão pelo Superior Tribunal Federal (STF) por atos antidemocráticos. No dia 16 de maio, o Silveira esteve em Nova Friburgo e chegou a ser homenageado na Câmara Municipal.

Confiança do Executivo

O empresário é um dos responsáveis por enviar à Câmara a maior proposta de orçamento na história do Município, como anunciado em seu discurso na Fevest deste ano: quase R$ 1 bilhão. A proposta ainda depende da aprovação do Legislativo e, ao que tudo indica, não terá dificuldades para passar.

O Prefeito Johnny Maycon, que durante o segundo turno das eleições manifestou apoio ao presidente Jair Bolsonaro, tem depositado grande confiança no Secretário. Em outubro, Montechiari deixou a secretaria de Finanças para assumir a Secretaria de Ciência e Tecnologia.

“Nunca me manifestei”, diz Montechiari

Ao EcoSerrano, André Montechiari esclareceu a situação. “Muitas pessoas foram incluídas nestes grupos e eu fui uma delas. No entanto, nunca me manifestei, nem dei a minha opinião. Estou como muitos brasileiros, apreensivo, aguardando os próximos passos, esperando o presidente se pronunciar. Eu não administro e nem lidero nenhum grupo de paralisação. Sou um observador da direita”, explicou.

Ciente da existência deste grupo, o Ministério Público do Rio de Janeiro informou que caso receba notícia instruída com elementos concretos da prática de crime, adotará as medidas cabíveis.

O EcoSerrano também procurou o Prefeito Johnny Maycon para falar sobre o assunto, mas até o fechamento desta reportagem, não obteve retorno.

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