Imagem que revolta: Flagrantes revelam uma rotina que prejudica a mobilidade e retira direitos de quem mais precisa
O desrespeito no trânsito de Nova Friburgo deixou de ser um caso isolado e passou a fazer parte da rotina de quem circula pela cidade. Motoristas avançam sinais, param em fila dupla, ocupam locais proibidos e deixam veículos em pontos que dificultam ou até impedem a passagem.Os flagrantes se repetem em diferentes bairros e horários. Em alguns casos, basta uma parada irregular para uma rua inteira ficar travada. Ônibus não conseguem fazer uma curva, veículos maiores ficam impedidos de passar e o congestionamento cresce em poucos minutos.Tudo costuma começar com a mesma justificativa: “É só um minutinho”.Para quem deixa o carro no lugar errado, pode parecer pouco. Para quem fica preso no trânsito, perde o ônibus, não encontra passagem na calçada ou precisa de uma vaga reservada, a consequência é muito maior.
O registro original que deu origem à imagem de capa desta reportagem foi feito por um leitor do Portal EcoSerrano.Segundo o relato encaminhado, ele acompanhou a chegada do motorista e percebeu que o condutor não era idoso. O leitor também afirmou que nenhuma pessoa idosa teria desembarcado do veículo e que não havia credencial visível no painel.
Vaga de idoso não é gentileza
As vagas destinadas às pessoas idosas estão entre as situações que mais provocam indignação.Esses espaços não são um favor e muito menos um estacionamento rápido para quem pretende resolver algo nas proximidades. Eles existem para reduzir dificuldades de locomoção e garantir que pessoas com 60 anos ou mais consigam chegar com segurança aos seus destinos.É importante lembrar que o idoso não precisa ser o motorista. A vaga pode ser utilizada quando o beneficiário estiver sendo transportado no veículo, desde que exista uma credencial válida.A autorização pode ser impressa e colocada em local visível no painel ou utilizada na versão digital, vinculada à placa. Por isso, a simples ausência do cartão físico não permite afirmar, sozinha, que houve uma infração.O que caracteriza a irregularidade é utilizar a vaga sem credencial válida ou quando o espaço não está sendo usado em benefício de uma pessoa idosa.A credencial digital pode ser emitida pelo aplicativo Carteira Digital de Trânsito ou pelo Portal de Serviços da Senatran.Portal Gov.br
Multa, pontos e remoção
Estacionar em vaga reservada para idosos ou pessoas com deficiência sem a credencial correspondente é uma infração gravíssima.A penalidade prevista inclui:
Multa de R$ 293,47;
Sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação;
Remoção do veículo.
A regra está prevista no artigo 181 do Código de Trânsito Brasileiro.Código de Trânsito BrasileiroMesmo diante das penalidades, o problema continua aparecendo. A sensação transmitida pelos relatos é de que alguns condutores calculam o risco: estacionam onde não podem e apostam que sairão antes da fiscalização.
Uma vaga ocupada, um direito retirado
Quando alguém sem direito ocupa uma vaga especial, não está apenas desrespeitando uma placa. Pode obrigar um idoso a estacionar longe, atravessar uma rua movimentada ou percorrer uma distância incompatível com suas condições de mobilidade.O problema é ainda mais grave nas proximidades de hospitais, clínicas, farmácias, bancos e áreas comerciais.O mesmo vale para carros deixados em esquinas, pontos de ônibus, calçadas, filas duplas e trechos estreitos. Cada parada irregular reduz o espaço disponível e prejudica o funcionamento da cidade.
A cidade paga a conta
Nova Friburgo já enfrenta ruas estreitas, grande volume de veículos e poucas alternativas em determinados corredores. Quando a imprudência e o desrespeito entram nessa conta, a mobilidade fica ainda mais engessada.Fiscalização é necessária, mas não resolve tudo sozinha. Nenhuma cidade consegue manter agentes em todas as esquinas durante todo o dia.Respeitar o sinal vermelho, não parar em fila dupla e deixar livres as vagas reservadas são obrigações básicas de quem recebeu autorização para dirigir.O trânsito não piora apenas por causa da quantidade de carros. Também piora quando alguns motoristas decidem que sua pressa vale mais do que o direito dos outros.E a pergunta permanece: até quando?