Crianças em sala de aula, com foco em suas costas, sentadas em carteiras escolares.

Crise na Educação explode em Nova Friburgo após relatos vazarem

Denúncias expõem o que acontece nas escolas quando os portões se fecham 

SIGA O ECOSERRANO NO INSTAGRAM: https://www.instagram.com/ecoserrano/

A rotina de dezenas de famílias de Nova Friburgo virou um exercício diário de incerteza. Crianças chegando à escola sem saber quem estará na sala. Pais tentando entender por que avaliações não foram entregues. Professores sobrecarregados, adoecendo, se afastando. Direções escolares tentando evitar um colapso ainda maior enquanto cobranças aumentam de todos os lados.

O que antes aparecia em reclamações isoladas agora começa a revelar um cenário muito mais amplo dentro da rede municipal de ensino.

Denúncias recebidas pelo Portal EcoSerrano apontam falta de professores em diferentes unidades escolares, demora na convocação de concursados, profissionais sobrecarregados e uma estrutura que, segundo relatos de famílias e educadores, já não consegue responder à demanda da rede.

Crianças sem professor fixo e famílias desesperadas

Na Escola Municipal Santa Paula Frassinetti, uma das situações mais graves envolve turmas que, segundo responsáveis, seguem sem professor de referência fixo. A denúncia relata que cerca de 53 crianças estariam sendo impactadas diretamente pela ausência de profissionais efetivos em sala.

“Cada dia entra uma pessoa diferente na sala”, relatou uma mãe ao EcoSerrano.

O reflexo, segundo os responsáveis, já aparece no aprendizado das crianças, na dificuldade de adaptação das turmas e até na insegurança emocional dos alunos.

Outro ponto que revolta as famílias é o atraso na entrega das avaliações do primeiro bimestre. Pais afirmam que seguem sem respostas claras sobre o andamento pedagógico dos filhos.

Apesar da revolta das famílias, os relatos fazem uma separação importante: a direção da unidade e os profissionais que seguem atuando na escola não são apontados como responsáveis pelo problema.

Pelo contrário.

Segundo responsáveis ouvidos pela reportagem, a direção da Santa Paula Frassinetti, considerada bem avaliada por famílias da comunidade escolar, tenta constantemente minimizar os impactos da falta de profissionais e manter o funcionamento da unidade mesmo diante das lacunas enfrentadas diariamente.

A pressão, porém, recai sobre a Secretaria Municipal de Educação, que já teria sido comunicada reiteradas vezes sobre o problema.

O problema já atinge outras unidades

E a situação não estaria restrita a apenas uma escola.

Mães também denunciaram problemas envolvendo déficit de professores na Escola Municipal Rui Barbosa. Já no Colégio Municipal Dermeval Barbosa Moreira, relatos apontam dificuldades envolvendo o quadro de merendeiras.

Nos bastidores da rede municipal, profissionais afirmam que o cenário vem se agravando silenciosamente nos últimos anos.

Segundo relatos obtidos pela reportagem, as direções escolares têm feito comunicados constantes sobre as lacunas enfrentadas nas unidades. Famílias também vêm pressionando por respostas.

O SEPE-NF, sindicato que representa os profissionais da educação, denuncia há anos problemas relacionados à falta de profissionais, sobrecarga e precarização das condições de trabalho na rede municipal.

Concursados aprovados seguem aguardando convocação

Há reclamações recorrentes sobre a morosidade na convocação de aprovados no concurso público de 2023, principalmente para cargos de Professor I, profissionais fundamentais nos anos iniciais da educação básica.

Educadores afirmam que a entrada desses concursados poderia aliviar parte da sobrecarga enfrentada atualmente nas unidades.

Outro gargalo envolve os chamados Professores II, responsáveis pelos anos finais do Ensino Fundamental.

Segundo relatos obtidos pela reportagem, há baixa convocação para apresentação de documentos e posse, o que amplia o déficit em diversas disciplinas.

Enquanto isso, salas seguem descobertas.

Professores acumulam funções.

E a rede vai funcionando no limite.

Uma categoria que adoece em silêncio

O problema já não é tratado apenas como uma questão administrativa.

Para profissionais da educação, sindicatos e famílias, o cenário também se transformou em uma crise de saúde mental dentro da rede municipal.

O SEPE-NF vem denunciando o adoecimento crescente da categoria. Entre os principais relatos aparecem casos de exaustão, assédio institucional, sobrecarga de trabalho e desgaste emocional extremo.

Nos Diários Oficiais, tornaram-se frequentes as publicações envolvendo afastamentos por motivos de saúde.

Segundo profissionais da rede, o ciclo acaba se retroalimentando: faltam profissionais, aumenta a sobrecarga dos que permanecem em atividade, novos afastamentos acontecem e as lacunas crescem ainda mais.

Para representantes da categoria, a Prefeitura precisa acelerar a posse de concursados, reforçar o quadro funcional e criar políticas reais de proteção à saúde mental dos servidores da educação.

Secretaria já foi alertada diversas vezes

Além das denúncias feitas por famílias e educadores, a situação também já teria chegado ao Ministério Público, que acompanha pressões relacionadas à necessidade de regularização do quadro de profissionais na rede municipal.

Nos bastidores da educação, a avaliação de muitos servidores é de que a Secretaria Municipal de Educação já conhece detalhadamente os problemas enfrentados pelas unidades.

As direções escolares comunicam.

Os professores denunciam.

As famílias cobram.

O sindicato alerta.

Mas o problema continua crescendo.

O Portal EcoSerrano procurou a Secretaria Municipal de Educação, por meio da Subsecretaria de Comunicação da Prefeitura de Nova Friburgo, solicitando esclarecimentos sobre as denúncias envolvendo falta de professores, déficit de profissionais, demora na convocação de concursados e relatos de adoecimento da categoria.

Até o fechamento desta reportagem, não houve retorno.

ACOMPANHE O ECOSERRANO

Back To Top