Duas mulheres atravessam cruzamento movimentado no Centro de Nova Friburgo enquanto veículos passam próximo a elas.

Motoboy avança sinal, quase atropela duas mulheres e sai rindo, em Nova Friburgo

Cruzamento mais perigoso de Nova Friburgo não dá tempo para pedestre atravessar; assista o vídeo até o final

Uma das mulheres já estava no meio da travessia. A outra, uma idosa, caminhava logo atrás. Quando tentaram completar o percurso, os carros avançaram e as duas precisaram interromper os passos para não serem atingidas (veja o vídeo no final do texto). A cena foi registrada na tarde de terça-feira, 21 de julho, no cruzamento das ruas Augusto Spinelli, Carlos Alberto Braune, Monte Líbano e Josina Barbosa Folly, na região central de Nova Friburgo. O local tem três semáforos destinados aos veículos. Para os pedestres, não há nenhum. Também não existe um intervalo claramente reservado para que uma pessoa consiga cruzar todas as pistas sem disputar espaço com os carros. No início de julho, uma idosa foi atropelada enquanto atravessava o mesmo cruzamento. Ela foi levada em estado grave ao Hospital Municipal Raul Sertã, mas morreu posteriormente. Mesmo depois da tragédia, a travessia continua sendo feita sob risco.
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O sinal fecha de um lado e abre do outro

O problema está no funcionamento do conjunto semafórico. Quando os sinais das ruas Augusto Spinelli e Carlos Alberto Braune estão abertos, o da Rua Monte Líbano permanece fechado. Pouco depois, a ordem se inverte. Para os motoristas, o fluxo segue alternado. Para quem está a pé, porém, sempre existe alguma direção com veículos autorizados a avançar. Na prática, o pedestre inicia a travessia quando uma das vias está parada, mas pode encontrar carros em movimento antes de alcançar a outra calçada. Pessoas com mobilidade reduzida, idosos, crianças e responsáveis com carrinhos de bebê ficam ainda mais expostos, pois precisam de mais tempo para completar o percurso.

EcoSerrano voltou ao local

O perigo já havia sido mostrado pelo Portal EcoSerrano em um vídeo que alcançou grande repercussão nas redes sociais. Após a publicação e o atropelamento da idosa, circularam informações de que a Secretaria Municipal de Mobilidade e Urbanismo teria modificado o intervalo entre os sinais para permitir uma travessia mais segura. O EcoSerrano voltou ao cruzamento para verificar o funcionamento. A observação feita no local não identificou um período exclusivo para os pedestres. Os sinais continuam alternando a passagem dos veículos sem que todas as direções sejam interrompidas ao mesmo tempo. O quase atropelamento de terça-feira ocorreu justamente nessa condição. As duas mulheres começaram a atravessar, mas encontraram veículos em movimento antes de chegarem em segurança ao outro lado.

Moradores evitam o trecho

Relatos enviados ao EcoSerrano mostram que o medo não se limita a um único episódio. Moradores dizem que evitam passar pelo cruzamento, especialmente nos horários de maior movimento. Outros contam ter presenciado ou vivido situações em que motoristas precisaram frear bruscamente para não atingir pedestres. Também há familiares de pessoas que sofreram acidentes na região. O ponto recebe circulação intensa durante todo o dia. Nas proximidades estão a Câmara Municipal, escolas, estabelecimentos comerciais e o Hospital Maternidade Dr. Mário Dutra de Castro. A presença desses serviços aumenta o fluxo de idosos, estudantes, gestantes, pacientes e acompanhantes. Ainda assim, quem precisa atravessar depende da própria avaliação para escolher o momento que pareça menos perigoso.

Pedestres pedem sinal exclusivo

A principal reivindicação dos moradores é a instalação de um semáforo próprio para pedestres, acompanhado de um intervalo em que todos os veículos fiquem parados. A solução permitiria que a travessia fosse feita sem depender da direção dos carros ou da tentativa de calcular quando outro sinal será aberto. Outra possibilidade seria a adoção de uma fase exclusiva para pedestres no sistema já existente, desde que o tempo seja suficiente para pessoas idosas ou com dificuldade de locomoção. A definição da medida adequada depende de avaliação técnica da Secretaria Municipal de Mobilidade e Urbanismo. O que a situação atual mostra é que a travessia continua sem proteção específica.

Uma morte não foi suficiente para mudar o cruzamento

O atropelamento ocorrido no início do mês mostrou que o risco não era apenas uma reclamação de moradores. Houve uma vítima gravemente ferida, posteriormente confirmada como morta. Dias depois, outras duas mulheres quase foram atingidas no mesmo ponto. O cruzamento permanece com sinais para organizar os veículos e sem equipamento que indique ao pedestre quando atravessar. Até a publicação desta reportagem, o material de apuração não apresentava uma nova intervenção da Prefeitura capaz de garantir um intervalo exclusivo e seguro para quem está a pé. O EcoSerrano mantém o espaço aberto para que a Secretaria Municipal de Mobilidade e Urbanismo informe se existe projeto, prazo ou medida prevista para o local.

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