Dona Deolira recebeu certificado do RankBrasil e está em busca de recorde mundial
Uma moradora do Noroeste Fluminense atravessou mais de um século de mudanças e acaba de receber um reconhecimento nacional. Aos 121 anos, Deolira Glicéria Pedro da Silva, atualmente residente em Itaperuna, foi certificada pelo RankBrasil como a mulher mais longeva do país.
Deolira nasceu em 10 de março de 1905, em Porciúncula, onde passou grande parte da vida antes de se mudar para Itaperuna há cerca de cinco anos. A idade foi homologada pelo sistema brasileiro de recordes depois da análise de documentos oficiais, registros complementares, informações familiares e do acompanhamento médico.
O reconhecimento brasileiro, entretanto, não equivale a um título do Guinness World Records. Apesar de ter idade declarada superior à atual recordista mundial, Deolira ainda precisa vencer um processo documental mais rigoroso para obter a validação internacional.
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Documentos apresentados ao RankBrasil
O RankBrasil informa que analisou uma certidão de nascimento emitida pelo Ofício Único de Porciúncula. O documento registra que Deolira nasceu em 10 de março de 1905, às 10h, e é filha de Ana Cândida da Silva.
A certidão atualizada foi emitida em março de 2024, mas o registro civil original foi lavrado somente em 11 de janeiro de 1977.
Também foi apresentado o histórico de créditos do Instituto Nacional do Seguro Social. O documento previdenciário reúne o nome, o CPF, a identificação da mãe e a mesma data de nascimento. Ele registra ainda um benefício rural por idade iniciado em janeiro de 1982.
O processo contou com uma justificação de batismo e de estado livre emitida em setembro de 2025 pela Paróquia Santo Antônio de Porciúncula, ligada à Diocese de Campos.
Com base nesse conjunto, o RankBrasil reconheceu Deolira como “Mulher Mais Longeva do Brasil”. A entidade ressalva que a homologação segue seus próprios critérios para recordes nacionais e permanece aberta à apresentação de novas evidências históricas.
Enchente destruiu documentos antigos
A principal dificuldade na tentativa de comprovar a idade de Deolira internacionalmente está na perda dos registros antigos.
Em 1977, uma enchente atingiu a casa onde ela vivia e destruiu boa parte dos documentos originais da família. A partir daquele ano, novos registros precisaram ser emitidos.
A família recorreu a cartórios para recuperar informações e contou com a colaboração de instituições religiosas na busca pelo registro de batismo. Em casos de longevidade extrema, documentos produzidos perto da data do nascimento costumam ter peso decisivo na validação.
O geriatra Juair de Abreu Pereira, que acompanha Deolira, participa da reunião desses documentos. Ele acredita que o reconhecimento nacional poderá fortalecer a tentativa de validação internacional.
— Pelo que sei, o processo no Guinness está parado, mas acredito que o reconhecimento pelo RankBrasil pode ajudar — afirmou o médico ao jornal O Globo.
Até esta quarta-feira (2), não havia confirmação de que o Guinness tivesse aceitado a documentação ou iniciado uma nova etapa formal de validação.
Recordista mundial completou 117 anos
O título de pessoa mais velha viva reconhecida internacionalmente pertence à britânica Ethel Caterham, nascida em 21 de agosto de 1909.
A informação de que Ethel teria 116 anos ficou desatualizada em agosto. Ela completou 117 anos no último dia 21 e se tornou a primeira britânica a alcançar oficialmente essa idade, segundo atualização publicada pelo próprio Guinness World Records.
Ethel recebeu os títulos de mulher mais velha viva e pessoa mais velha viva em 2025, após validação realizada por especialistas da organização LongeviQuest.
Pela idade registrada nos documentos brasileiros, Deolira seria aproximadamente quatro anos mais velha que a britânica. Essa diferença, no entanto, só terá validade para o recorde internacional se o conjunto de provas for aceito pelas organizações responsáveis pela verificação de supercentenários.
Deolira está perto do maior recorde da história
A pessoa mais longeva já reconhecida oficialmente foi a francesa Jeanne Calment, que morreu em 1997 com 122 anos e 164 dias.
Caso a idade de Deolira seja validada internacionalmente e ela ultrapasse essa marca, a brasileira poderá se tornar a pessoa mais longeva documentada da história.
Deolira completará 122 anos em março de 2027. Para superar a marca de Jeanne Calment, precisaria alcançar aproximadamente o segundo semestre daquele ano.
Esse cenário continua condicionado a dois elementos diferentes: que Deolira ultrapasse a idade da francesa e que sua documentação seja aceita pelos organismos internacionais de verificação.
Vida na lavoura deixou poucos registros públicos
Deolira passou a maior parte da vida trabalhando na lavoura ao lado do marido e dos filhos. Ela teve sete filhos, dos quais três permanecem vivos, segundo as informações reunidas pela família.
A vida distante de centros urbanos e de serviços públicos deixou poucos registros capazes de confirmar diferentes momentos de sua trajetória. O problema é frequente na investigação da idade de pessoas nascidas no início do século XX, principalmente em áreas rurais.
Naquela época, parte das crianças não era registrada imediatamente. Incêndios, enchentes e mudanças de endereço também contribuíam para o desaparecimento de documentos.
Por isso, a comprovação da idade de supercentenários exige o cruzamento de registros civis, religiosos, previdenciários, escolares e familiares produzidos ao longo da vida.
Uma vida anterior ao voo do 14-Bis
A data de nascimento registrada para Deolira antecede acontecimentos que hoje fazem parte dos livros de história.
Quando ela nasceu, em março de 1905, o avião 14-Bis ainda não havia realizado seu primeiro voo público. A televisão não existia, e o primeiro Campeonato Carioca de futebol ainda não havia começado.
Deolira nasceu durante o governo de Rodrigues Alves e tinha nove anos quando começou a Primeira Guerra Mundial, em 1914. Ao longo de sua vida, o Brasil teve diferentes Constituições, moedas, governos e profundas transformações tecnológicas.
Agora, a família continua procurando documentos que possam preencher as lacunas deixadas pela enchente de 1977. O título brasileiro está confirmado; o reconhecimento mundial permanece pendente.
Fontes
- RankBrasil — reconhecimento de Deolira como mulher mais longeva do Brasil;
- Guinness World Records — Ethel Caterham completa 117 anos;
- Informações e declaração do médico publicadas pelo jornal O Globo.
Atualizado às 12h03 desta quarta-feira, 2 de setembro de 2026. A idade da atual recordista mundial foi corrigida para 117 anos, conforme atualização oficial do Guinness publicada em 21 de agosto.
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