Nova fase da Operação Unha e Carne cumpre 19 mandados e apura suspeita de lavagem de dinheiro com participação de agentes públicos
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira, 7 de julho, a 6ª fase da Operação Unha e Carne, no Rio de Janeiro. A investigação mira uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis da Região Metropolitana como plataforma para lavagem de dinheiro. Segundo a PF, o grupo teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, valor apontado em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf.A operação cumpre 19 mandados de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense. A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.
Políticos, policiais e empresários entram no centro da apuração
Entre os alvos citados pela imprensa nacional estão Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, e o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. Agentes da ativa da corporação também são investigados.Outro nome mencionado na apuração é o do ex-PM Juracy Alves Prudêncio, conhecido como Jura, citado no relatório final da CPI das Milícias da Alerj, em 2008, como chefe de um grupo paramilitar que atuava em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.A Polícia Federal informou que os investigados poderão responder por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, além de outros crimes que podem surgir no avanço das investigações. Até o momento, a operação está na fase de cumprimento de mandados e coleta de provas.
Relatório do Coaf apontou movimentação bilionária
O ponto de partida desta etapa foi um Relatório de Inteligência Financeira enviado pelo Coaf à Polícia Federal. O documento apontou movimentações de mais de R$ 7,6 bilhões atribuídas ao grupo investigado em um período de seis anos.Para os investigadores, a rede de postos teria sido usada para dar aparência legal a recursos de origem suspeita. A presença de agentes públicos entre os alvos amplia o alcance político da investigação e coloca novamente o Rio no centro de uma apuração sobre possível ligação entre estruturas econômicas, poder público e organizações criminosas.
Operação faz parte da Missão Redentor II
A 6ª fase da Unha e Carne integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para desarticular organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro.A ação também está relacionada às diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que determinou maior atuação da PF em investigações sobre a relação de agentes públicos com facções e grupos criminosos no Rio.A Operação Unha e Carne começou em dezembro de 2025 e, desde então, avançou sobre suspeitas de vazamento de informações sigilosas, proteção institucional ao crime organizado, fraudes em contratos públicos e lavagem de dinheiro. Nesta nova etapa, o foco passa a ser a movimentação bilionária atribuída a empresas do setor de combustíveis.