Frente fria interrompeu transportes, fechou aeroporto, derrubou árvores e deixou milhares de imóveis sem energia
O problema começou quase ao mesmo tempo em diferentes pontos da cidade. Semáforos apagaram, árvores caíram sobre ruas e passageiros ficaram retidos dentro de trens. Na orla, objetos foram arrastados. Nos aeroportos, voos precisaram ser suspensos ou desviados.As rajadas que chegaram ao Rio de Janeiro na tarde de quarta-feira (29) não atingiram apenas a capital. A passagem rápida de uma frente fria provocou ocorrências na Baixada Fluminense, Região dos Lagos e Região Serrana, deixando duas pessoas mortas, feridos e um pescador desaparecido.O vento alcançou 105,5 km/h na região do Galeão, entre 16h e 17h. A velocidade foi suficiente para levar o município do Rio ao Estágio 2, nível que indica risco de ocorrências de alto impacto.
A ocorrência mais grave foi registrada na Rua Doutor Júlio Otoni, em Santa Teresa, na região central. Um muro desabou durante a ventania e atingiu duas pessoas, que morreram. Um carro também foi atingido.Uma câmera de segurança registrou o momento da queda. Uma das vítimas era Tássio Maia dos Santos, de 41 anos, ex-atacante do Botafogo. A identidade da segunda vítima não havia sido divulgada no material apurado.Em Angra dos Reis, na Costa Verde, um pescador desapareceu durante as condições adversas no mar. As buscas foram iniciadas pelo Corpo de Bombeiros.Também houve pessoas feridas em outros pontos. Em Mesquita, um homem ficou em estado grave depois de ser atingido por uma telha. No campus da Fiocruz, em Manguinhos, uma trabalhadora sofreu ferimentos leves após a queda de uma árvore. Ela recebeu atendimento e passa bem.
Apagão interrompe metrô e trens
A ventania atingiu o sistema elétrico e deixou moradores sem energia em todas as regiões da capital e em municípios da Baixada Fluminense. Zona Sul, Centro e Tijuca ficaram entre as áreas mais afetadas.Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico, uma subestação do Rio foi desligada durante o evento. A Light informou que houve uma falha externa ao sistema da concessionária. O fornecimento foi restabelecido gradualmente.A falta de energia interrompeu a circulação do metrô. Algumas composições ficaram paradas entre as estações subterrâneas, enquanto passageiros aguardavam dentro dos trens. Os acessos também ficaram lotados.As linhas 1 e 4 foram reabertas por volta das 18h e a operação entrou em processo de normalização. Os trens também tiveram todos os ramais afetados. Para absorver parte da demanda, a Mobi-Rio prolongou o horário de pico do BRT.Nas ruas, o apagão deixou semáforos fora de operação justamente no período de volta para casa. A prefeitura pediu que a população evitasse deslocamentos que não fossem essenciais.
Aeroportos e Ponte Rio-Niterói mudaram a operação
O Aeroporto Santos Dumont precisou interromper pousos e decolagens. Cinco voos comerciais e um executivo foram direcionados para outros aeroportos, enquanto quatro decolagens foram canceladas.O Galeão permaneceu aberto, mas cinco voos que tinham o terminal como destino foram desviados: dois para Belo Horizonte, dois para São Paulo e um para Vitória. O aeroporto também recebeu dois voos alternados do Santos Dumont.Na Baía de Guanabara, a linha das barcas para Charitas operou com intervalos irregulares. As demais linhas foram mantidas.A Ponte Rio-Niterói adotou a operação comboio. O tráfego era liberado ou interrompido de acordo com a velocidade das rajadas, com equipes da concessionária conduzindo os veículos durante os momentos de maior risco.
Árvores bloquearam vias em diferentes bairros
O vento derrubou árvores, galhos e postes em dezenas de endereços. Houve ocorrências no Centro, Santa Teresa, Estácio, Cidade Nova, Méier, Riachuelo, Rio Comprido, Recreio, Freguesia, Bangu, Pavuna e outros bairros.Entre os pontos afetados estavam as avenidas das Américas, Paulo de Frontin e Amaro Cavalcanti, além das estradas da Pedra e Benvindo de Novaes. Árvores também caíram próximas a estações do BRT.Na Rua do Riachuelo, em Santa Teresa, Rocha, Todos os Santos e Brás de Pina, árvores atingiram a fiação. Em Bangu, houve queda de poste. A rede elétrica também foi atingida por galhos na Tijuca e em Curicica.Um balanço inicial reuniu 30 cortes de árvores, 26 salvamentos e quatro desabamentos. Com a entrada de novos chamados, o Corpo de Bombeiros contabilizou 185 ocorrências relacionadas aos ventos até as 19h, incluindo 93 cortes de árvores, 31 salvamentos e cinco desabamentos.
Nova Friburgo registra seis quedas de árvores e destelhamento
Na Região Serrana, Nova Friburgo teve rajadas de até 64,4 km/h na quarta-feira (29). A Defesa Civil recebeu seis ocorrências envolvendo quedas de árvores em Lumiar, Amparo, Nova Suíça, Campo do Coelho, Cônego e Olaria.No condomínio Quintas do Cônego, três blocos foram destelhados. Não houve informação sobre vítimas nessas ocorrências.Em Petrópolis, cerca de dez quedas de árvores e galhos foram registradas em diferentes pontos. Uma árvore também provocou interdição parcial na Serra. A estação do Pico do Couto mediu rajadas de 67,32 km/h às 18h.A falta de energia atingiu diferentes localidades do município. Um levantamento divulgado após a ventania indicava que 7.542 clientes da Enel permaneciam sem fornecimento. A concessionária confirmou que Petrópolis e outras cidades de sua área foram afetadas pelo fenômeno.Na Região dos Lagos, Cabo Frio teve quedas de árvores e uma tempestade de areia na área das praias. A previsão ainda apontava possibilidade de rajadas próximas a 70 km/h.
Como se proteger durante ventos fortes
A Defesa Civil recomenda manter portas e janelas fechadas e retirar ou prender objetos que possam ser carregados. Durante as rajadas, não se deve permanecer próximo a árvores, marquises, coberturas metálicas, cabos de energia, outdoors ou andaimes.Veículos não devem ser estacionados ao lado de árvores, placas ou torres de transmissão. Atividades ao ar livre, principalmente no mar, devem ser evitadas.Em caso de falta de energia, a recomendação é não utilizar velas, devido ao risco de incêndio. A Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros pelo 193.