Novos vazamentos se juntam aos danos provocados pelo apagão, e a recuperação pode ultrapassar três dias
A energia pode voltar em poucos minutos, mas a água não percorre o mesmo caminho com igual velocidade. Estações precisam retomar a captação, reservatórios voltam a encher e redes extensas são pressurizadas aos poucos. Quanto mais alto ou distante o imóvel, maior costuma ser a espera.Esse processo ajuda a explicar por que comunicados divulgados desde segunda-feira (27) ainda interessam aos moradores nesta quinta-feira (30). Além das consequências do vendaval e do apagão de quarta-feira, novos vazamentos, reparos em tubulações e serviços nas adutoras mantêm o fornecimento irregular em diferentes regiões fluminenses.O levantamento do EcoSerrano identificou 10 municípios e 92 bairros, distritos ou localidades citados nominalmente nos avisos de Águas do Rio, Cedae, Iguá Rio e Prolagos. A dimensão é ainda maior porque todo o município de Belford Roxo e áreas não detalhadas da capital, da Baixada Fluminense e do Leste Metropolitano também foram incluídos nos comunicados.
Dois vazamentos suspendem abastecimento em Belford Roxo
A ocorrência mais recente está em Belford Roxo. A Águas do Rio trabalha nesta quinta-feira em dois vazamentos de grande porte, localizados na Rua Circular, no Centro, e na Avenida Nova Aurora.O abastecimento precisou ser suspenso em todo o município. Os reparos também afetam partes de Duque de Caxias, São João de Meriti e Nova Iguaçu.Segundo a concessionária, os vazamentos foram identificados depois do vendaval, que interrompeu a energia e paralisou temporariamente unidades de bombeamento. Depois da conclusão dos serviços, a água voltará de forma gradual. A recuperação pode levar 72 horas ou mais.As quatro cidades e as áreas citadas são:
Belford Roxo: todo o município, com reparos localizados no Centro e em Nova Aurora.
Duque de Caxias: Bar dos Cavaleiros, Centenário, Centro, Dr. Laureano, Gramacho, Jardim 25 de Agosto, Olavo Bilac, Parque Duque, Parque Fluminense, Parque Sarapuí, Periquito, São Bento, Vila São José e Vila São Luiz.
São João de Meriti: Jardim Metrópole, Jardim Paraíso e Jardim Sumaré.
Nova Iguaçu: Boa Esperança, Cerâmica, Engenho Pequeno, Jardim Tropical, Miguel Couto, Prata, Ponto Chic, Rancho Novo, Tinguazinho, Viga e Vila Operária.
Magé e Itaboraí dependem da retomada das estações
Em Magé, a Estação de Tratamento de Água foi paralisada após uma falha de energia no sistema que capta água bruta no Rio Roncador. A Enel foi acionada, mas a retomada da produção depende do restabelecimento elétrico.As 16 localidades mencionadas são: Barbuda, Canal, Flexeira, Liberdade, BNH do Roncador, Roncador, Tênis Clube, Vila Nova, Centro, Novo Mundo, Bela Floresta, Magé Mirim, Figueira, Lagoa, Comendador Reis e Vila Esperança.Figueira apareceu duas vezes no comunicado original e foi contabilizada apenas uma vez pelo EcoSerrano.Em Itaboraí, a ETA Porto das Caixas parou durante um serviço da Cedae na adutora que leva água bruta do Canal de Imunana até a unidade. O abastecimento só começa a se recuperar depois da conclusão do trabalho e da retomada da produção.As 13 localidades afetadas são: Ampliação, Areal, Centro, Esperança, Jardim Imperial, Nancilândia, Nova Cidade, Outeiro das Pedras, Porto das Caixas, Quissamã, Retiro, Sossego e Venda das Pedras.Nos dois municípios, o retorno pode levar 72 horas ou mais, principalmente em pontos elevados e nas extremidades das redes. Os comunicados podem ser acompanhados na página oficial daÁguas do Rio.
Capital reúne 29 bairros no levantamento
O Rio de Janeiro concentra o maior número de bairros identificados nominalmente: 29. Os problemas têm origens diferentes e atingem desde a Zona Norte até a Zona Sudoeste.Em Manguinhos, o reparo de uma rede de grande porte foi concluído no final da noite de quarta-feira. Isso não significa, porém, que a água tenha retornado imediatamente a todos os imóveis. A normalização pode levar 72 horas ou mais.Neste grupo estão Del Castilho, Engenho da Rainha, Higienópolis, Inhaúma, Jacaré, Jacarezinho, Manguinhos, Maria da Graça e partes de Benfica, Caju, São Cristóvão e Barreira do Vasco.Na área da Iguá Rio, a falta de energia nas elevatórias do Lameirão e NEL pode causar baixa pressão ou interrupção nos seguintes bairros: Barra da Tijuca, Camorim, Cidade de Deus, Curicica, Freguesia, Jacarepaguá, Gardênia Azul, Anil, Grumari, Itanhangá, Joá, Pechincha, Recreio dos Bandeirantes, Tanque, Taquara, Vargem Grande e Vargem Pequena.Jacarepaguá apareceu duas vezes no comunicado e foi contado uma única vez. A concessionária prevê normalização em até 72 horas após a retomada completa do sistema.O aviso permanece disponível no site da Iguá Rio.No Recreio dos Bandeirantes, outro reparo emergencial é realizado na Estrada Benvindo de Novaes, número 1.374. O bairro já faz parte do grupo atingido pelas elevatórias e, por isso, não foi somado novamente.
Onze vias têm avisos localizados na Barra e na Freguesia
Além dos bairros, os comunicados identificam 11 ruas e alamedas com possibilidade de impacto localizado.Na Freguesia, a falha de energia na elevatória São Zeno pode afetar as ruas São Zeno, Augusto Cardoso, Santo Eulógio e Otávio de Resende.Na Barra da Tijuca, a paralisação da elevatória Ilha da Gigóia pode comprometer o fornecimento nas alamedas Dalton Barreto, das Mangueiras, dos Colibris, das Flores, das Garças e dos Ingás, além da Rua Doutor Sebastião de Aquino.Os dois avisos indicavam recuperação gradual em até 12 horas depois do retorno da energia e da operação das unidades.Curicica também terá uma intervenção programada na próxima segunda-feira, 3 de agosto. O serviço começará às 8h e deve durar 12 horas. Depois da conclusão, a distribuição poderá levar até 48 horas para se normalizar. Essa manutenção futura não foi confundida com os problemas atuais no levantamento.
Cambuci, Paty do Alferes e Cabo Frio completam o mapa
Em Cambuci, o distrito de Monte Verde teve o abastecimento interrompido por um vazamento na rede de captação. O serviço estava programado para terça-feira (28), com recuperação gradual em até 24 horas. Enquanto havia instabilidade, o atendimento emergencial era realizado com caminhões-pipa.No distrito de Avelar, em Paty do Alferes, a paralisação provocada pela falta de energia poderia causar baixa pressão e falta de água. A Iguá Rio informou que mantém caminhões-pipa para situações emergenciais, com prioridade para hospitais, clínicas e outros serviços de saúde.Em Cabo Frio, um reparo emergencial numa tubulação de grande porte afetou partes do distrito de Tamoios. A Prolagos previa concluir o trabalho na terça-feira, mas o retorno ocorre gradualmente, sem garantia de que todos os imóveis recebam água ao mesmo tempo. O aviso foi publicado noscanais da Prolagos.
As 10 cidades e as 92 localidades contabilizadas
A contagem final reúne:
Rio de Janeiro: 29 bairros;
Magé: 16 localidades;
Duque de Caxias: 15 localidades, incluindo Campos Elíseos, onde a estação ficou sem produzir;
Itaboraí: 13 localidades;
Nova Iguaçu: 11 bairros;
São João de Meriti: três bairros;
Belford Roxo: duas localidades citadas, além de todo o município afetado;
Cambuci: um distrito;
Paty do Alferes: um distrito;
Cabo Frio: um distrito.
Os números consideram cada bairro, distrito ou localidade apenas uma vez. Não entram nessa soma as referências genéricas a toda a Baixada Fluminense, ao Leste Metropolitano e a outras partes da capital que não tiveram os nomes detalhados. Por isso, o alcance real pode ultrapassar as 92 localidades identificadas.Até a normalização, a orientação é reservar a água de caixas e cisternas para alimentação, higiene e outras necessidades essenciais. Tarefas de grande consumo devem ser adiadas.A Águas do Rio atende pelo telefone e WhatsApp 0800 195 0 195. Na área da Iguá Rio, o contato é 0800 400 0509. Para Avelar, o canal divulgado é 0800 400 0510. A Prolagos recebe chamados pelo 0800 7020 195.