“Frustrada”, diz usuária do SUS com serviço de exames laboratoriais em Nova Friburgo

Paciente relata que laboratório teria se recusado a fazer exame que consta em contrato com a Prefeitura e na tabela do SUS. Usuária também cobra fiscalização e postura firme da Secretaria de Saúde

Após quase três meses sem realizar exames laboratoriais, em fevereiro deste ano a Secretaria de Saúde concluiu o chamamento público no qual cinco laboratórios foram considerados aptos para realizar a coleta de exames na população friburguense. São eles: Laboratório Biogram, Laboratório Cordeirense, Intermed, Rodolpho Albino e Motovum (DayLab). O contrato inicial, publicado no Diário Oficial do dia 7 de fevereiro indica que cada laboratório vai receber R$ 755.256,70 por 12 meses de contrato. Em 7 de janeiro, também foi publicado no Diário Oficial um aditivo no valor R$ 133.470,57, ao que parece, no mesmo contrato, para quatro dos cinco estabelecimentos. Ao todo, a Prefeitura vai gastar em 12 meses, cerca de R$ 4,3 milhões. De acordo com Leila Monnerat, uma usuária do SUS, que mantém no Instagram uma página para relatar sua experiência com a saúde pública, estes serviços laboratoriais não estão sendo prestados da melhor forma. No dia 10 de fevereiro, Leila foi até o DayLab para fazer a coleta de alguns exames. O resultado estava agendado para 22 de fevereiro e quando foi buscá-los no dia teve uma surpresa. “Quando cheguei em casa, confrontei o resultado dos exames com a cópia do pedido original. Percebi que quatro desses exames não constam nos resultados impressos e voltei ao para pegá-los. Faltavam realizar os exames de Vitamina C, Ferro, FSH e Ácido Úrico. A atendente  informou que fica a critério dos laboratórios quais exames serão realizados por cada um”, disse. No entanto, o sistema, ao que parece, não funciona deste modo. Conforme o chamamento público, os laboratórios aptos a realizar os exames precisam cumprir a coleta da extensa lista disponibilizada pela Prefeitura, mediante a quantidade estabelecida por mês, ou seja, em tese, os estabelecimentos só não podem realizar tais exames se a cota mensal já tiver sido atingida, o que não teria sido o caso de Leila porque, em nenhum momento esta justificativa lhe foi passada.

Dilema

“Horas depois, o laboratório confrontou o pedido original dos exames e me ligou informando que eles estavam em execução, menos um: Dosagem de ácido ascórbico (vitamina C). A justificativa era de que este exame não era realizado pelo SUS, embora o Diário Oficial e a tabela do SUS indiquem a realização deste exame”, mostrou-se surpresa. De acordo com um funcionário da unidade, em conversa com Leila, o DayLab seria o único laboratório credenciado para atender a unidade. “É um dilema. Eu preciso fazer um exame cujo laboratório que foi determinado para realizá-lo diz que não vai fazê-lo porque não está na tabela do SUS, sendo que ele está na tabela do SUS. Como fica o paciente diante dessa situação?”, questionou a usuária. “Lá, comentaram, inclusive, que eu poderia ser encaminhada para uma outra unidade de saúde. Estão complicando algo que é simples”, completou Leila. Chamou atenção da paciente que o laboratório teria confirmado à ela que todos os seus exames estavam prontos. “Quando fui no dia 23 para buscá-los e reclamei que faltavam quatro exames, horas depois recebo a informação de que três restantes estavam em execução. Dá a entender, parece, que eles não foram feitos, mas que foram enviados para serem feitos depois que eu reclamei”.

Sentimento de frustração

Leila pede um rigor mais apurado da Secretaria de Saúde no controle da realização dos exames pelos laboratórios. “Mudaram os contratos, mas a qualidade está bem duvidosa. Fiquei bastante frustrada. Que a Secretaria de Saúde cobre dos laboratórios o cumprimento da realização dos exames aos quais são obrigados a fazer por contrato. E que a secretaria também possa disponibilizar mais de um laboratório para atender as unidades de saúde e não apenas um, além de informar aos pacientes quando o exame não puder ser feito”, cobrou a usuária.

“Gentileza”

Na tarde desta quarta-feira, 1º, Leila esteve na Central de Regulação, no Hospital Municipal Raul Sertã, onde afirma ter sido bem atendida e elogiou a atuação do funcionário na ajuda para solucionar o problema. Com exclusividade ao EcoSerrano, a paciente informou que o seu caso terá um final feliz, mas com ressalvas. “Acabamos de falar com a responsável pelo laboratório e, como eu tenho consulta médica já no dia 10 –  e preciso levar os exames pendentes – para resolver o meu problema ela fará a gentileza de fazer uma nova coleta de sangue amanhã (quinta-feira, 2). Porém, reforçou que no contrato dela não está prevista a realização desse exame. O meu problema vai ser resolvido. Mas e dos demais pacientes do posto do Suspiro que precisam desse mesmo exame? Como fica?” questionou.

Dicas

Após o episódio, Leila deixou algumas dicas para os usuários do SUS como forma de alerta:
  • A importância de ter uma cópia do pedido original do exame para comparar se o resultado que foi entregue é o mesmo do que foi solicitado
  • Ter o hábito de consultar na tabela do SUS se eles estão cobertos
  • Consultar no Diário Oficial da Prefeitura a lista destes exames e atribuir aos laboratórios a obrigatoriedade para executá-los.
O EcoSerrano entrou em contato com a Subsecretaria de Comunicação da Prefeitura e com a Secretária de Saúde, Nicole Cipriano, mas até o o fechamento desta reportagem, não obteve retorno. A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial. Redes Sociais do EcoSerrano
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