Moradores relatam morosidade ao pedir ajuda para a Prefeitura e questionam o papel da Sebea. Prints vazam e revoltam ainda mais a população
O gato que agonizava com feridas graves no bairro Tingly foi encontrado morto após moradores tentarem, sem sucesso, conseguir ajuda do poder público. O animal apresentava sinais atribuídos pelos denunciantes à esporotricose, mas não houve atendimento antes da morte.O caso não expõe apenas a demora diante de um animal em sofrimento. Ele coloca novamente a Secretaria Municipal de Bem-Estar Animal de Nova Friburgo, a Sebea, diante de uma pergunta que se torna cada vez mais difícil de evitar: para que serve uma secretaria de bem-estar animal que, quando procurada, apenas informa que o problema pertence a outro órgão?A Sebea explicou ao morador que ocorrências relacionadas à esporotricose seriam responsabilidade da Vigilância em Saúde e do setor de controle de zoonoses. Tecnicamente, a divisão de atribuições pode estar correta.
O problema é que esse argumento virou, segundo diferentes relatos recebidos pelo Portal EcoSerrano, uma resposta quase automática. A população procura a secretaria acreditando que encontrará uma porta de entrada para proteger um animal e recebe, em troca, o nome de outro órgão, outro protocolo e mais um caminho burocrático.No caso do Tingly, nem mesmo o telefone da Vigilância em Saúde teria sido fornecido. Ao pedir o contato, o morador foi informado de que a Sebea não possuía o número.A falta de integração entre secretarias teve uma consequência concreta: enquanto o pedido passava pela Ouvidoria, era encaminhado à Sebea e depois redirecionado ao setor considerado responsável, o animal continuava sem atendimento. Quando a solução não chegou, o gato já estava morto.O documento obtido pelo EcoSerrano não permite afirmar que houve recusa deliberada de algum servidor. Mostra, porém, que uma denúncia urgente circulou dentro da estrutura municipal sem produzir uma resposta rápida para quem estava diante de um animal debilitado.
Nas redes sociais, a realidade parece outra
O contraste com as redes sociais da Sebea é evidente.Nos vídeos institucionais, a secretaria aparece participando de resgates, acompanhando denúncias e transmitindo uma imagem de agilidade, presença e controle sobre as ocorrências envolvendo animais.Já no contato direto com a população, moradores relatam uma experiência diferente: a responsabilidade é transferida para a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros, a Vigilância em Saúde ou outro setor.Em muitos casos, essas atribuições realmente pertencem a esses órgãos. Denúncias de maus-tratos precisam de apuração policial. Resgates em determinadas circunstâncias podem depender do Corpo de Bombeiros. Doenças transmissíveis entram no campo da Vigilância em Saúde.Mas, se a Sebea não resgata, não investiga maus-tratos, não conduz o processo judicial e não assume a responsabilidade final pelos animais encaminhados a clínicas conveniadas, isso precisa ser informado de maneira clara e permanente à população.Não é o que ocorre.A comunicação institucional alimenta a expectativa de que a secretaria atua diretamente e acompanha os casos do início ao fim. Quando o cidadão pede ajuda, descobre que a realidade administrativa é outra.Esse descompasso faz com que a Sebea apareça nos momentos de divulgação, mas desapareça quando a população precisa saber quem efetivamente irá atender, em quanto tempo e de que forma.Encaminhar uma ocorrência ao setor competente não é o problema. O problema é limitar toda a atuação a esse encaminhamento, sem acompanhar o caso, sem agilizar o contato e, em situações urgentes, sem sequer saber informar o telefone do órgão responsável.
Suspeita de doença no bairro
A morte do gato também não encerra o risco no Tingly. Segundo moradores, outro felino já apresenta uma lesão grave no focinho. O denunciante afirma ainda que está se recuperando de esporotricose após ter contraído a doença.Os relatos indicam uma possível circulação da zoonose no bairro, mas ainda não permitem confirmar oficialmente um surto. Essa conclusão depende de avaliação veterinária, exames e investigação da Vigilância em Saúde.O corpo de um animal com suspeita de esporotricose não deve ser enterrado nem descartado no lixo comum. A orientação sanitária é que seja encaminhado para incineração, porque o descarte inadequado pode contaminar o ambiente e expor pessoas e outros animais ao fungo.A população também precisa evitar o contato direto com as feridas e secreções dos animais. Pessoas que apresentem lesões após arranhões, mordidas ou contato com um gato doente devem procurar atendimento médico e informar a possível exposição.O EcoSerrano questiona a Prefeitura sobre a destinação dada ao corpo do gato, a avaliação dos demais animais do Tingly e a atuação da Vigilância em Saúde diante da suspeita de novos casos.Também cobra uma resposta objetiva da Sebea: quais serviços a secretaria realmente executa, quais ocorrências apenas encaminha e por que essa limitação não aparece com a mesma clareza nos vídeos e publicações usados para divulgar sua atuação.