Liberdade de Imprensa: Brasil ocupa 110º posição em ranking com 180 países

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Lideranças políticas friburguenses comentam ataques do vice-prefeito ao EcoSerrano 

Nesta terça-feira, 3, os jornalistas de todo o mundo comemoram o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa. No Brasil, a data ganha ainda mais significado após as seguidas quedas do país no ranking de liberdade de imprensa. Atualmente, o Brasil ocupa a posição 110º num ranking com 180 países, de acordo com o Repórteres Sem Fronteira (RSF).

Segundo o RSF, o Brasil ocupa uma das piores posições nas Américas e saiu da chamada “zona laranja” para a “zona vermelha”, que sinaliza regiões do mundo onde a situação da imprensa é considerada difícil.

Além da “polarização da informação”, outros motivos que colocam o país em uma zona de risco para a liberdade de imprensa são o grande conteúdo de desinformação e os ataques, muitos deles do atual presidente Jair Bolsonaro.

Inspirados pelo comportamento de Bolsonaro, diversos outros líderes políticos têm atacado a imprensa e, por vezes, agredido verbal e fisicamente profissionais em coberturas jornalísticas. Na internet os ataques estão cada vez mais comuns.

Na última semana, o EcoSerrano foi alvo de críticas contundentes do atual vice-prefeito de Nova Friburgo, Serginho. O ataque veio após a reportagem que divulgou o resultado da votação para alterar o artigo 189 da Lei Orgânica Municipal, em que o vice-prefeito pode se beneficiar diretamente. Na reportagem, o EcoSerrano, que acompanhou a votação na íntegra, reproduziu a fala de alguns vereadores, entre eles da vereadora Vanderleia Abrace Essa Ideia que chamou de “carguinho” o cargo de Superintendente da Subsecretaria de Projetos Especiais, da Secretaria Estadual de Obras, o qual Serginho deve ocupar.

Ao EcoSerrano, a vereadora completou a sua fala no plenário informando que a justificativa de alguns parlamentares, contemporizando um caso semelhante com o então vereador Sérgio Louback, para votarem a favor da alteração da lei, não era cabível.

“Eu não falei na hora, mas deveria ter dito, que a comparação feita pela base de governo  ao dizer que era a mesma situação do então vereador Sérgio Louback, em 2018, digo que não era. Se fosse a mesma coisa, não precisaríamos votar por uma nova alteração. Ele (Sérgio Louback) foi eleito através do voto como suplente para deputado estadual, diferentemente do vice-prefeito que vai ocupar um cargo em que foi convidado”.

Diante desta situação, o EcoSerrano conversou com outras lideranças políticas friburguenses para comentar o caso.

Wanderson Nogueira: Lamentável a falta de postura e de estatura do governo. Atacar, de forma antiética, opositores e a imprensa, é próprio dos que adotam táticas antidemocráticas para ocultar a mediocridade das próprias atuações. O atual governo que já não flerta com esse modelo, já o adotou. Faz da Câmara de Vereadores puxadinho e acha que pode fazer o mesmo com a imprensa e com os adversários que não se rendem ao poder pelo poder. Se enganam. Resistiremos, seguiremos denunciando, mostrando a incoerência do discurso e da prática e se mantendo firme na defesa da democracia e da história de liberdade e progresso que os friburguenses construíram.

 Cláudio Damião: As funções de prefeito e de vice-prefeito revestem-se de muita importância. Afinal, são as principais figuras públicas de representação da população. Espera-se dos que assumam tais cargos, altas doses de maturidade e equilíbrio, capacidade para ouvir, aceitar críticas e absorvê-las. Espera-se que não sejam tiranos; que sejam educados e saibam respeitar opiniões divergentes; que aceitem o trabalho da imprensa e dos jornalistas sem atacá-los; que não de chiliques ou se aventurem em tentativas de ganhar no grito atacando pessoas nas redes sociais, demonstrando claro despreparo e rebaixamento intelectual. Pessoas designadas para tão nobre função precisam apresentar um claro projeto político para a gestão. Precisam entender que estão de passagem e que o cargo que ocupam não está a serviço de si, mas ao contrário, cientes do peso da responsabilidade consagrada nas urnas, entendem a missão de servir ao público. Espera-se que o vice-prefeito entenda o seu papel, que alcance a maturidade necessária, que se desvencilhe do proselitismo político e assuma suas funções no município.

Vereador Repórter Maicon Queiroz:  Infelizmente muitas pessoas concorrem a um cargo público sem ter a menor dimensão do que significa isso. Quando você assume um cargo público você está sujeito a cobranças. Principalmente um cargo eletivo, que é o caso de um vice-prefeito. Se a pessoa não gosta de cobranças, ou quer ter uma vida mais privada, então não deveria concorrer a nenhum tipo de cargo público. É muito triste quando vemos um agente público responder a questionamentos da imprensa de forma leviana, principalmente colocando questões pessoais do repórter pura e simplesmente por não gostar do questionamento, por não ter a resposta ou não poder responder a pergunta que é feita. Eu mesmo, antes de ser vereador, como membro da imprensa sofri isso. Posso dizer que ainda sofro enquanto Vereador, pois como a minha função é fiscalizatória, os que são questionados por mim, muitas vezes não gostam das nossas perguntas e tentam até nos responder de forma leviana.

Serginho, vice-prefeito
Vanderleia Abrace Essa Ideia
Wanderson Nogueira
Cláudio Damião
Vereador Repórter Maicon Queiroz

1 comentários

Denize 3 de maio de 2022 - 20:35

Como se não bastasse a vergonha nacional N.Froburgo tem a sua particular.

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