Suspeitas de aplicar golpe usando falsamente o nome do CRAS

Mulher identifica suspeita de golpe envolvendo falso atendimento do CRAS e grava abordagem

Veja o vídeo: Duas mulheres teriam pedido documentos e reconhecimento facial sob a promessa de liberar uma cesta básica; prática pode permitir acesso a contas e contratação de empréstimos

Uma moradora registrou o momento em que duas mulheres, supostamente se passando por funcionárias do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), tentaram obter seus documentos e realizar um reconhecimento facial pelo celular (Veja o vídeo no final do texto).

Segundo o relato que acompanha as imagens, as mulheres teriam afirmado que o procedimento era necessário para liberar uma cesta básica. A moradora, porém, já havia entrado em contato com o CRAS e descoberto que a abordagem não fazia parte de qualquer atendimento oficial.

“Eu sei que é golpe, estou gravando tudo”, afirmou a mulher durante o confronto.

Ao perceberem que estavam sendo filmadas, as suspeitas deixaram o local e fugiram em um carro. A placa foi registrada nas imagens, mas será preservada pelo Portal EcoSerrano porque ainda não há confirmação pública de que o proprietário do veículo tenha participação no caso.

O local da abordagem e a existência de um registro policial não foram informados no material recebido pelo Portal.

SIGA O ECOSERRANO NO INSTAGRAM: https://www.instagram.com/ecoserrano/

Reconhecimento facial pode permitir acesso a contas

A biometria facial é utilizada por bancos e instituições financeiras para confirmar a identidade de clientes. Quando o procedimento é realizado sob orientação de golpistas, pode ser empregado na tentativa de abrir contas, contratar empréstimos, alterar cadastros ou autorizar operações financeiras.

Além do reconhecimento facial, informações como CPF, fotografia de documentos, senhas, códigos recebidos por mensagem e dados bancários nunca devem ser entregues durante uma abordagem sem confirmação prévia da identidade do atendente.

É importante esclarecer que profissionais do CRAS podem realizar visitas domiciliares como parte do acompanhamento de famílias. O sinal de alerta, portanto, não é apenas a visita, mas pedidos suspeitos de reconhecimento facial, senha, código bancário ou acesso a aplicativos financeiros sob a promessa de liberar benefícios.

Em caso de dúvida, a pessoa deve interromper o atendimento e procurar diretamente a unidade oficial do CRAS ou a Secretaria Municipal de Assistência Social.

Idoso de Paraty teve benefício consumido por empréstimos

Um caso ocorrido em Paraty demonstra a gravidade desse tipo de fraude. Um idoso analfabeto e com deficiência foi vítima de um golpe em 2020 após receber a falsa promessa de uma casa popular.

Segundo a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, criminosos utilizaram a biometria facial da vítima para contratar empréstimos no Agibank e na Caixa Econômica Federal.

Os descontos reduziram o benefício social do idoso a apenas R$ 159 mensais. Um relatório produzido pelo CRAS Rural de Paraty constatou que ele enfrentava fome e tinha somente arroz, alho e cebola em sua despensa.

Depois de o pedido ser negado na primeira instância, a Defensoria recorreu ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e conseguiu a suspensão imediata das cobranças.

A argumentação apontou que as instituições financeiras não observaram as formalidades exigidas para contratos envolvendo pessoas analfabetas, como a participação de testemunhas e de alguém de confiança da vítima.

A decisão permite o prosseguimento do processo em busca da anulação definitiva das dívidas e de indenização por danos morais de, no mínimo, 20 salários mínimos.

Segundo a defensora pública Renata Jardim da Cunha Rieger, o caso não envolvia apenas valores financeiros, mas “a sobrevivência de um idoso que estava sendo privado do mínimo”. As informações foram divulgadas oficialmente pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro.

Não há informação de que o episódio registrado no vídeo tenha qualquer relação com o golpe sofrido pelo idoso de Paraty. O caso anterior é apresentado como exemplo dos prejuízos que podem ser provocados pelo uso indevido da biometria facial.

Como se proteger

Durante qualquer atendimento domiciliar, a população deve adotar algumas precauções:

  • Solicitar a identificação funcional do profissional;
  • Confirmar a visita diretamente com a unidade do CRAS;
  • Não entregar senhas ou códigos enviados por mensagem;
  • Não permitir acesso a aplicativos bancários;
  • Não realizar reconhecimento facial em aparelho desconhecido;
  • Não fotografar documentos por orientação de desconhecidos;
  • Interromper a abordagem diante de qualquer suspeita;
  • Acionar a Polícia Militar pelo telefone 190 caso o crime esteja acontecendo;
  • Registrar a ocorrência na Polícia Civil;
  • Comunicar imediatamente o banco se houver movimentação suspeita.

Quem já realizou o reconhecimento facial ou entregou documentos deve entrar em contato com as instituições financeiras, verificar a existência de contas ou empréstimos desconhecidos e registrar uma ocorrência.

ACOMPANHE O ECOSERRANO

Back To Top