Vídeo mostra detalhes do acidente que vitimou animal. Cenas são fortes
As rodovias cortam diferentes áreas naturais e também fazem parte do caminho percorrido por animais silvestres. Durante a noite, quando várias espécies saem em busca de alimento ou de novos territórios, o risco de atropelamento aumenta (veja o vídeo no final do texto).Na noite de terça-feira, 28 de julho, mais um desses episódios terminou com a morte de um animal ameaçado de extinção. Um lobo-guará foi atropelado no km 119 da RJ-116, no município de Duas Barras, na Região Serrana do Rio.Usuários da rodovia encontraram o animal e comunicaram o caso. Uma equipe da SOS Vida Silvestre seguiu até o local para realizar o recolhimento.De acordo com Francis, representante da instituição, este é o segundo lobo-guará recolhido pela equipe ao longo da RJ-116. O primeiro registro aconteceu em 2019. O novo caso, sete anos depois, será utilizado para ampliar a pesquisa sobre a movimentação da espécie na região.
O lobo-guará será levado ao laboratório NEVES, da Universidade Veiga de Almeida. Os pesquisadores vão analisar a alimentação mantida pelo animal no ecossistema e verificar a presença de endoparasitas, entre outros dados que podem ajudar a compreender sua passagem pela região.Após a conclusão dos estudos, o exemplar retornará à SOS Vida Silvestre e será utilizado como material didático por meio da taxidermia. O procedimento permite preservar as características externas do animal para atividades de pesquisa e educação ambiental.A instituição mantém um Museu da Fauna em sua sede, no km 16,5 da RJ-116, em Papucaia, distrito de Cachoeiras de Macacu. O acervo reúne animais que foram vítimas de atropelamentos, como onça-parda, lobo-guará, gato-mourisco, gato-maracajá e diferentes espécies de aves.
Pesquisa busca entender presença da espécie
O lobo-guará é uma espécie associada principalmente ao Cerrado e a outros ambientes abertos. A ocorrência na Região Serrana desperta o interesse dos pesquisadores porque a área possui características predominantes de Mata Atlântica.Segundo Francis, os registros de 2019 e 2026 serão mapeados para tentar identificar se esses animais estão passando com maior frequência pela rodovia e em quais pontos podem estar tentando se estabelecer.A perda e a fragmentação de habitats podem levar animais silvestres a percorrer distâncias maiores em busca de alimento, abrigo e territórios. No entanto, os pesquisadores ainda precisarão analisar o novo exemplar e reunir mais informações antes de apontar o motivo específico de sua presença no trecho.O lobo-guará é classificado como vulnerável no Brasil. Além da redução de áreas naturais, a espécie enfrenta outros riscos, como doenças transmitidas por animais domésticos, conflitos em propriedades rurais e atropelamentos.
Trabalho percorre os 144 quilômetros da RJ-116
A SOS Vida Silvestre e a Concessionária Rota 116 mantêm um trabalho conjunto de monitoramento ao longo dos 144 quilômetros da rodovia.A atuação inclui o recolhimento de animais, a produção de pesquisas científicas, ações de educação ambiental e a indicação de medidas para prevenir acidentes envolvendo espécies silvestres e domésticas.Um dos trabalhos é realizado no trecho entre Nova Friburgo e Bom Jardim, onde é comum encontrar capivaras próximas à pista por causa dos rios existentes na região. Telas e placas são instaladas em pontos considerados estratégicos para dificultar o acesso dos animais à rodovia e advertir os motoristas.As informações obtidas com os dois registros de lobo-guará também poderão orientar novas medidas de proteção. A intenção é identificar possíveis áreas de passagem e reduzir o risco de outros atropelamentos.Motoristas que trafegam pela RJ-116, principalmente durante a noite, devem respeitar os limites de velocidade e redobrar a atenção nos trechos sinalizados. Caso um animal apareça na pista, a orientação é reduzir a velocidade com segurança e evitar movimentos bruscos.