Mão abrindo torneira preta em parede, com crise hídrica no Rio de Janeiro

Moradores já se organizam para possíveis oscilações no abastecimento de água no RJ

Serviços em reservatórios e obras na rede mudam rotina de moradores no Rio e interior nos próximos dias

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Quem já passou pela experiência de abrir a torneira e perceber a água chegando fraca — ou simplesmente não chegando — sabe que qualquer aviso de manutenção mexe imediatamente com a rotina da casa. Banho, comida, limpeza, lavanderia, comércio, escolas. Tudo começa a ser reorganizado quando o abastecimento pode sofrer impacto. Nesta semana, moradores de diferentes regiões do Estado do Rio estão convivendo com esse cenário. Limpezas preventivas de reservatórios, modernizações operacionais e obras de expansão da rede de água foram anunciadas por concessionárias e pela Cedae, afetando bairros da capital e cidades do interior. Na Zona Sudoeste do Rio, a Iguá Rio atualizou o cronograma de limpeza preventiva de reservatórios após mudanças provocadas pelas condições climáticas. Alguns serviços previstos precisaram ser adiados, como os reservatórios Fruto do Mato, Condomínio Floresta, Reunião e Outeiro, que terão novas datas divulgadas posteriormente. Mesmo com o remanejamento, parte da programação segue mantida nesta semana. Na terça-feira (26), os serviços ocorreram nos reservatórios Suíça Carioca I e II. Já na quinta-feira (28), as equipes atuam nos reservatórios Joatinga e Tirol, com impactos temporários no abastecimento em ruas e comunidades da região. A concessionária informou que a normalização da água pode acontecer de forma gradual em até 48 horas após a conclusão dos trabalhos, dependendo da pressurização da rede e das características de cada localidade. Em muitos imóveis, principalmente nas áreas mais altas, a preocupação costuma começar antes mesmo da interrupção. Moradores correm para armazenar água, adaptar horários e tentar evitar transtornos maiores dentro de casa. A Iguá Rio afirmou ainda que mantém caminhões-pipa disponíveis para situações emergenciais, priorizando unidades de saúde, como hospitais, clínicas e UPAs. Enquanto isso, no interior do estado, uma obra da Cedae promete mudar uma realidade antiga em Barra do Piraí. A companhia iniciou a ampliação da rede de abastecimento no bairro Belvedere, onde cerca de 3 mil moradores devem ser beneficiados diretamente. A intervenção prevê a instalação de mais de 2.800 metros de tubulações e uma nova elevatória de água tratada. Na prática, a expectativa é reduzir drasticamente a dependência de caminhões-pipa na região. Segundo a Cedae, 12 rotas semanais de abastecimento emergencial poderão ser retiradas do cronograma após a conclusão das obras, permitindo fornecimento regular de água para o bairro. O diretor de Desenvolvimento de Cidades da companhia, Marco Aurélio Porto, classificou o projeto como fundamental para melhorar a operação e estabilizar o abastecimento da localidade. Já na Região Metropolitana, outra intervenção importante movimentou o Sistema Imunana-Laranjal, responsável pelo abastecimento de municípios como Niterói e São Gonçalo. A manutenção preventiva realizada pela Cedae prevê a substituição de um macromedidor — equipamento usado para medir grandes volumes de água transportados pela rede. Durante o serviço, o sistema opera com cerca de 85% da capacidade. Apesar de temporária, qualquer redução operacional em sistemas desse porte costuma gerar atenção imediata da população, especialmente em cidades que historicamente convivem com oscilações no fornecimento em períodos de alta demanda. As concessionárias Águas de Niterói e Águas do Rio foram comunicadas previamente para orientar os consumidores sobre possíveis reflexos no abastecimento. Fora do estado, em Pará de Minas, obras de melhoria também provocam interrupções programadas em bairros da cidade durante o mês de maio. A concessionária local reforçou a importância de os imóveis possuírem caixa d’água para reduzir os impactos durante as paralisações temporárias. No dia a dia da população, a recomendação continua sendo praticamente a mesma em todas as cidades: economizar água, evitar desperdícios e acompanhar os comunicados oficiais das concessionárias. Porque, quando o abastecimento oscila, a rotina inteira sente primeiro.

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