Mulher utilizando aplicativo para pagar passagem de ônibus com celular, no Brasil.

Nova Friburgo pode aderir ao fim do pagamento em dinheiro nos ônibus?

Estudo mostra que mais da metade dos passageiros não utiliza mais dinheiro físico

A experiência iniciada na capital fluminense desperta dúvidas sobre o futuro da bilhetagem no transporte coletivo friburguense, onde milhares de passageiros ainda dependem do pagamento em espécie. Quem pega ônibus diariamente em Nova Friburgo provavelmente já ouviu falar das mudanças que começam a acontecer no transporte público da capital fluminense. Em algumas linhas da cidade do Rio de Janeiro, passageiros já conseguem embarcar utilizando PIX, enquanto o pagamento em dinheiro caminha para uma possível extinção. A novidade, que ainda enfrenta questionamentos na Justiça, acabou despertando uma pergunta natural entre moradores da Serra: algo parecido pode acontecer também em Nova Friburgo? Para entender esse cenário, o Portal EcoSerrano entrou em contato com a direção da Nova Faol, concessionária responsável pelo transporte coletivo municipal. Segundo a empresa, qualquer decisão relacionada à forma de pagamento utilizada pelos passageiros depende da Prefeitura de Nova Friburgo, responsável pelo gerenciamento do sistema de bilhetagem do município. A concessionária informou ainda que estudos sobre alternativas de pagamento já chegaram a ser analisados. No entanto, os levantamentos realizados precisariam ser atualizados para refletir a realidade atual do transporte coletivo em 2026.

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O dado mais relevante talvez esteja justamente no perfil dos usuários do sistema. De acordo com informações repassadas pela empresa, aproximadamente 40% dos passageiros ainda utilizam dinheiro físico para pagar suas viagens. Outros 60% já utilizam cartões de transporte. Na prática, isso significa que uma eventual retirada do dinheiro dos ônibus teria impacto direto sobre uma parcela significativa dos usuários do sistema. Entre os passageiros mais afetados poderiam estar trabalhadores informais, pessoas sem acesso constante à internet móvel e usuários que ainda não utilizam meios digitais de pagamento no dia a dia. Os idosos também podem ser afetados, no entanto, como eles possuem gratuidade, um estudo complementar precisa ser realizado para entender esta realidade. Na capital, um dos argumentos apresentados pelos defensores da mudança está relacionado à agilidade da operação. Sem a necessidade de receber dinheiro e fornecer troco, o embarque tende a ocorrer de forma mais rápida. Outro ponto observado é que o motorista deixa de realizar uma função adicional durante a viagem, permitindo maior atenção à condução do veículo. Por outro lado, a transição exige planejamento. Especialistas em mobilidade costumam destacar que mudanças desse porte precisam considerar a inclusão dos passageiros que ainda dependem do pagamento tradicional, evitando que parte da população encontre dificuldades para acessar o transporte público. Até o momento, não existe qualquer anúncio oficial sobre a adoção do PIX como forma auxiliar ou até mesmo única de pagamento nos ônibus de Nova Friburgo. O Portal EcoSerrano também procurou a Prefeitura de Nova Friburgo para obter esclarecimentos sobre o tema. Foram encaminhadas solicitações à Subsecretaria de Comunicação e ao subsecretário de Serviços Concedidos, Rodrigo de Lima. Entretanto, até o fechamento desta reportagem, não houve retorno.

Experiência no Rio pode inspirar mudança 

Embora não exista previsão de mudança imediata, a experiência que começa a ser testada no Rio de Janeiro será observada por diversos municípios do estado. Se os resultados forem considerados positivos em termos de praticidade, segurança e eficiência operacional, não está descartada a possibilidade de que modelos semelhantes passem a ser discutidos futuramente em outras cidades, incluindo Nova Friburgo. Para quem depende do transporte coletivo todos os dias, a discussão vai muito além da tecnologia. Ela envolve acessibilidade, inclusão, adaptação dos usuários e a forma como o sistema de mobilidade urbana acompanhará as transformações dos próximos anos.

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