Veja quem votou contra e a favor do veto e quem mudou o voto
A homenagem ainda nem havia sido oficialmente descartada quando a dor do pai de Isadora tomou conta do plenário.Na noite desta terça-feira, 14 de julho, a Câmara Municipal de Nova Friburgo manteve o veto do prefeito ao projeto que daria o nome da menina de 8 anos ao Posto de Urgência e Emergência de Lumiar.O placar terminou em 11 votos a favor do veto e oito contra. Com o resultado, a proposta aprovada anteriormente pelos próprios vereadores não seguirá adiante nos termos em que foi apresentada.A votação seria, por si só, um desfecho político. Mas a sessão ganhou outra dimensão quando o pai da menina reagiu à justificativa apresentada por um dos parlamentares que votaram para impedir a homenagem.Segundo o que foi dito durante a sessão, o vereador José Carlos Schuabb argumentou que colocar o nome de Isadora na unidade poderia representar uma injustiça com outras pessoas e famílias que também viveram perdas.A resposta veio do plenário.“Injustiça é um pai chegar em casa e não poder abraçar o filho por conta da irresponsabilidade das pessoas”, declarou o pai de Isadora.Em seguida, dirigindo-se ao vereador, fez uma acusação dura:“Você tem o sangue da minha filha nas suas mãos.”A fala foi feita em um ambiente tomado por revolta e emoção. O parlamentar citado poderá se manifestar sobre o conteúdo da declaração e sobre a interpretação dada à sua justificativa.
O resultado não repetiu o comportamento da Câmara nas etapas anteriores do projeto.Em maio, quando a proposta foi aprovada, a maioria dos vereadores havia votado a favor de dar o nome de Isadora ao posto de Lumiar. Na ocasião, apenas Carlinhos do Kiko e José Carlos Schuabb votaram contra. Janio de Carvalho e Dirceu Tarden não participaram daquela votação.Na análise do veto, oito parlamentares que haviam apoiado a homenagem em uma ou mais fases da tramitação passaram a votar ao lado do prefeito:
Cascão do Povo;
Isaque Demani;
Rômulo Pimentel;
Wallace Piran;
Bruno Silva;
Angelo Gaguinho;
Tia Karla;
Cláudio Leandro.
A mudança foi decisiva para o resultado final.Votaram pela manutenção do veto José Carlos Schuabb, Carlinhos do Kiko, Janio de Carvalho, Isaque Demani, Cascão do Povo, Rômulo Pimentel, Wallace Piran, Bruno Silva, Angelo Gaguinho, Tia Karla e Cláudio Leandro.Foram contra o veto Maicon Gonçalves, Cláudio Damião, Maiara Felício, Marcos Marins, Ghabriel do Zezinho, Joelson do Pote, Max Bill e Evandro Miguel.Christiano Huguenin esteve ausente. Dirceu Tarden não votou.
“Decisão política e institucional”
Durante a discussão, o vereador Marcos Marins, que votou contra o veto, fez críticas diretas ao governo municipal e à forma como o assunto chegou à Câmara.“Um governo maquiavélico, que coloca a população e os vereadores uns contra os outros. É uma decisão política e institucional. Somos testemunhas de um prefeito covarde, que não tem coragem de debater os assuntos sérios”, afirmou.A declaração representa a avaliação política do vereador e não uma constatação do Portal EcoSerrano. O governo municipal tem direito de responder às críticas.A fala de Marcos Marins apontou para uma disputa que ultrapassou o nome escolhido para o posto. Ao longo dos últimos dias, o debate passou a envolver a posição do prefeito, a responsabilidade dos vereadores e a mudança de votos dentro da Câmara.
Uma homenagem que virou confronto político
Isadora tinha 8 anos e morreu após um atendimento médico em Lumiar. A família atribui o desfecho a falhas e negligência no atendimento e busca responsabilização pelo que aconteceu.O projeto de homenagem surgiu como uma forma de manter o nome da menina ligado à unidade e transformar a memória da criança em um símbolo de cobrança por um serviço de saúde mais seguro.O veto do prefeito mudou o rumo da proposta. Para que a homenagem fosse preservada, seria necessário que a Câmara derrubasse o veto. Isso não ocorreu.O fato político mais marcante da noite foi justamente a mudança de posição de vereadores que haviam votado favoravelmente à proposta e, desta vez, decidiram impedir que ela entrasse em vigor.Os parlamentares podem sustentar que votações distintas — aprovação de um projeto e análise de um veto — permitem avaliações diferentes. Ainda assim, para a família e para parte do público presente, a mudança foi recebida como recuo.