Frutos e sementes de Ormosia friburgensis registrados diretamente em uma árvore nativa da Mata Atlântica em Nova Friburgo.

Raridade: Uma árvore única e especial escondida na mata friburguense

Espécie é registrada pela primeira vez e leva o nome da cidade

Por fora, o fruto seco preso aos galhos pode passar despercebido para quem atravessa uma área de Mata Atlântica. Quando a cápsula se abre, aparecem sementes grandes e avermelhadas, bem diferentes das sementes vermelhas e pretas popularmente associadas a outras árvores do mesmo gênero. Foi esse processo que a engenheira ambiental e sanitarista Iara Borges registrou em Nova Friburgo. No vídeo, ela mostra uma Ormosia friburgensis, espécie arbórea nativa da Mata Atlântica brasileira. As imagens apresentam o fruto ainda na árvore, as sementes protegidas pela cápsula e uma técnica usada para facilitar a germinação e a produção de mudas. Iara também está vinculada à Associação Brasileira dos Produtores de Sementes e Mudas Nativas e ao Viveiro da Mata Atlântica. O registro chama atenção por ter sido feito justamente no município associado ao nome científico da espécie.

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O nome correto da espécie

Embora também seja encontrada escrita como Ormosia friburguensis, a grafia aceita nas bases botânicas oficiais é Ormosia friburgensis. A espécie pertence à família Fabaceae, a mesma de inúmeras árvores conhecidas por produzir frutos em forma de vagem. A Flora e Funga do Brasil, mantida pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro, reconhece Ormosia friburgensis como nome aceito. A espécie também aparece em registros históricos sob outro nome, Ormosia getuliana, hoje considerado sinônimo. Portanto, não se trata de uma espécie nova para a ciência em 2026. A descrição botânica remonta a 1924. O caráter especial do vídeo está no encontro da árvore em seu ambiente, no registro das estruturas reprodutivas e na ligação histórica da espécie com Nova Friburgo.

Sementes grandes e vermelhas

As sementes exibidas por Iara são uma das características que ajudam a diferenciar a árvore de outras espécies do gênero Ormosia. A Embrapa registra que a Ormosia friburgensis produz sementes vermelhas e maiores. O gênero reúne aproximadamente 100 espécies distribuídas por regiões tropicais das Américas, do sudeste da Ásia e do nordeste da Austrália. No vídeo, as sementes aparecem ainda dentro do fruto. Depois de maduro, ele se abre e expõe o material que poderá dar origem a novas árvores. A casca resistente, porém, dificulta a entrada de água. Por isso, Iara apresenta uma técnica simples de preparação da semente antes do plantio, com o objetivo de aumentar a taxa de germinação. Esse cuidado é especialmente útil em viveiros que trabalham com espécies nativas, já que permite produzir mudas para restauração florestal, arborização e conservação.

Uma árvore que pode chegar a 25 metros

O Centro Nacional de Conservação da Flora, ligado ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, descreve a espécie como uma árvore que pode atingir cerca de 25 metros de altura. Ela ocorre em Floresta Ombrófila Densa, formação de Mata Atlântica marcada por umidade elevada e vegetação arbórea fechada. A espécie é endêmica do Brasil, ou seja, ocorre naturalmente apenas no país. Há registros no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo, embora as bases botânicas apresentem diferenças sobre a confirmação em alguns estados. Entre as áreas protegidas associadas à sua ocorrência estão o Parque Nacional do Itatiaia, o Parque Estadual da Pedra Selada, a Área de Proteção Ambiental de Petrópolis e a região de Macaé de Cima, em Nova Friburgo.

“Conhecer, valorizar e propagar”

Ao divulgar as imagens, Iara relacionou o encontro à conservação das florestas da região. “Espécies como a Ormosia friburguensis reforçam a importância da Mata Atlântica e de regiões como Nova Friburgo para a conservação da nossa biodiversidade.” Ela também destacou a produção de mudas como uma forma de ajudar a manter essas árvores nas florestas. “Conhecer, valorizar e propagar essas árvores é uma forma de contribuir para que elas continuem fazendo parte das nossas florestas.” Embora a espécie tenha sido classificada em 2018 como de “menor preocupação” em relação ao risco de extinção, o próprio levantamento técnico informa que ainda faltam dados sobre o tamanho e o comportamento de suas populações. A ocorrência é descrita como ocasional na maior parte das localidades conhecidas. Na prática, isso significa que a árvore não está entre as espécies oficialmente classificadas nas categorias mais graves de ameaça, mas continua dependendo da preservação da Mata Atlântica para sobreviver e se reproduzir. O vídeo registrado por Iara aproxima o público de uma espécie que dificilmente seria reconhecida apenas pelo tronco ou pelas folhas. É quando o fruto se abre e as sementes aparecem que a árvore revela uma de suas marcas mais particulares.

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