Virou moda: Prefeito sugere alterar lei para mudar projeto da Biblioteca Internacional

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Em vídeo, Johnny Maycon questiona “interesse” da imprensa e deixa de responder perguntas quanto à execução do Projeto

No último sábado, 30, o Prefeito de Nova Friburgo, Johnny Maycon, gravou um vídeo em que questiona o interesse da imprensa friburguense em relação ao projeto da Biblioteca Internacional Machado de Assis (BIMA).

No vídeo, Johnny Maycon defende que a consulta popular tem caráter democrático e é uma forma transparente da população atuar em conjunto com a gestão sobre as decisões do Município. “Quem pagou pelo espaço foi a população”, lembrou o Prefeito, referindo-se a desapropriação do terreno, na gestão Renato Bravo, que custou R $5 milhões.

Ao que parece, o Prefeito tenta suscitar um certo interesse além da notícia, após o EcoSerrano puxar a fila para uma série de perguntas que ganhou força e eco entre colegas jornalistas.

Apesar da gravidade das insinuações, a continuação da fala do prefeito chamou atenção para algo ainda mais importante. “O que a gente não pode fazer é ignorar e desprezar o desejo da população. Inclusive, se for necessário, a gente faz a alteração da lei e tira essa vinculação da BIMA ao espaço do Suspiro”, disse o Prefeito.

Segundo a Lei Municipal 4857/21, “O imóvel mencionado deverá ser utilizado exclusivamente para construção e abrigamento da Biblioteca Internacional Machado de Assis, caso contrário deverá ser reincorporado ao patrimônio do Município”, diz a Lei.

Pulga atrás da orelha

A tranquilidade aparente na fala do Prefeito Johnny Maycon gerou certas desconfianças daqueles que defendem a permanência do projeto no imóvel da Praça do Suspiro. 

Algumas fontes consultadas pelo EcoSerrano alegam que mudar uma lei, de um projeto já aprovado, com verba separada, auditada e com ampla transparência, pode levar à população a ideia de que os principais agentes do Executivo desrespeitam a própria legislação.

Além disso, a aparente calma do Prefeito faz parecer que, se uma lei atrapalha seus planos de executar um projeto, a solução seria alterar a legislação e não adequar o projeto dentro das normas.

Há quem questione algo ainda mais grave. Para fazer uma alteração de lei, é necessário que a proposta passe pela Câmara Municipal, seja votada e aprovada pela maioria dos vereadores. Ao falar com tranquilidade sobre alterar uma lei, os parlamentares poderiam encarar como um ato de desrespeito, já que a Lei Municipal referente ao imóvel, foi aprovada por unanimidade pelos legisladores.

Vale lembrar que a enquete, cujo prazo para votação terminou na noite da última terça-feira, 2, só pode ser acessada por meios digitais, a população não pode ter acesso às parciais, não houve informação sobre auditoria e não há previsão para a divulgação do resultado.

Não é novidade

Caso a sugestão para alterar a lei municipal ganhe força e se concretize no futuro, não será novidade. O caso mais emblemático aconteceu em abril deste ano, quando o vice-prefeito, Serginho, hoje licenciado, se beneficiou de uma alteração na Lei Orgânica para assumir um cargo de superintendente na Secretaria Estadual de Obras.

Ao fazer o pedido para se afastar, a Câmara Municipal alertou ao vice-prefeito de que este poderia perder o mandato, por conta de um artigo da LOM que proibia prefeito ou  vice de assumir cargos fora do Executivo municipal.

Para isso, foi necessário que o Prefeito Johnny Maycon propusesse uma alteração à Lei que permitisse ao vice assumir o cargo no estado. Naquele momento, antigos rivais políticos do Prefeito, que até então, não tinha maioria na Câmara, votaram a favor da mudança.

Distração

Segundo o ex-vereador Cláudio Damião a atitude recente do prefeito pode ser uma distração para a ausência de projetos relevantes. De acordo com o ex-vereador, seria um factóide político.

“Factoides são ferramentas usadas para desviar a atenção da população aos problemas reais. Certa hora ele aparece pendurado num teleférico; noutra, sentado como criança na estátua do leão. Outro dia, anunciou uma obra na Avenida Alberto Braune orçada em R$28 milhões”, lembrou.

“Ele lança uma nova distração à falta de uma proposta clara de gestão pública eficiente, com programas e projetos definidos: uma “consulta” com prazo exíguo e mal explicada para a destinação do terreno na Praça do Suspiro”, continuou o ex-parlamentar.

Jogar para a torcida

Num ato que pode ser considerado o famoso “jogar para torcida”, Johnny Maycon, ao publicar nas suas redes sociais e suscitar interesses além da informação, pode “jogar imprensa contra o povo”.

Esta estratégia é comumente utilizada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. Ao ser questionado pela imprensa sobre situações polêmicas, as quais, ao que parece, ele se vê um “beco sem saída”, a solução do presidente é atacar jornalistas, aumentar o tom de voz, debochar da imprensa e suscitar dúvidas sobre o trabalho e ética dos profissionais da Comunicação.

Solicitações sem respostas

Desde o lançamento do EcoSerrano, em 4 de abril deste ano, foram dezenas de solicitações enviadas via Subsecretaria de Comunicação, ou contato direto com secretários e com o próprio Prefeito, pedindo posicionamentos, oferecendo amplo espaço para direito de resposta. Na grande maioria das vezes, as solicitações não foram atendidas.

Ao restringir a veiculação das informações, em parte para as próprias redes sociais, o Prefeito deixa de utilizar os canais institucionais do Município e fala apenas para um público específico. Ao descentralizar o canal de comunicação principal que é o site da Prefeitura, o trabalho da imprensa, bem como da transparência para a população, pode ficar mais difícil.
Ao dizer que a consulta pública é democrática, o Prefeito teria ignorado uma grande parte da população que não tem acesso ao sistema de votação porque sequer tem acesso a direitos básicos como energia, água e saneamento.

Ao não responder o EcoSerrano, muitas notícias com assuntos delicados e divulgados pelo portal de forma exclusiva, ficam sem a palavra da Prefeitura, sem o equilíbrio dos dois lados e a população sem os esclarecimentos necessários. Ao não responder à imprensa, a população pode ser induzida a pensar que “quem cala, consente”. 

Considerando as palavras de Cláudio Damião sobre uma possível distração, fica a pergunta: para onde o friburguense deveria estar olhando?

1 comentários

Cláudio Damião 3 de agosto de 2022 - 10:28

O prefeito Johnny Maycon capturou a Câmara pela troca de favores políticos. Tudo o que ele criticava no prefeito anterior ele pratica. Cobrava da própria Câmara, quando vereador, um posicionamento de autônomia e de ação fiscalizadora. Hoje, com ele prefeito, a Câmara está mais domesticada, submissa, servil e omissa, com raras exceções.

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