Johnny Maycon publicou resposta na manhã desta quinta-feira
A denúncia sobre uma suposta aplicação ligada ao Banco Master voltou para o centro da briga política em Nova Friburgo. Depois de Marcos Marins afirmar na tribuna da Câmara que a Prefeitura teria investido mais de R$ 1 milhão no banco, o prefeito Johnny Maycon respondeu nesta quinta-feira, 25 de junho, e tentou devolver a responsabilidade ao próprio vereador e à gestão do ex-prefeito Renato Bravo. O caso envolve recursos do Fundo de Previdência Social de Nova Friburgo, dinheiro ligado ao pagamento futuro de aposentadorias e pensões de servidores municipais. Por isso, a discussão saiu do campo da troca de acusações e passou a tocar em uma pergunta sensível: quem autorizou a aplicação, por quanto tempo ela foi mantida e qual risco representou para o FundoPrev? Na terça-feira, 23, Marcos Marins afirmou, durante sessão da Câmara, que a Prefeitura teria investido mais de R$ 1 milhão no Banco Master, instituição citada em um escândalo financeiro nacional. A fala foi noticiada pelo Portal EcoSerrano, que também analisou documentos oficiais do Ministério da Previdência. As reportagens do EcoSerrano reforçaram, desde o início, que não foram identificados investimentos diretos no Banco Master nos documentos municipais analisados. O que aparece nos arquivos é uma aplicação no fundo Meta Valor FI Ações, gerido pela Meta Asset Management LTDA. A ligação entre a Meta/MAM Asset e o grupo Master foi contextualizada a partir de reportagem nacional do NeoFeed, mas o EcoSerrano não afirmou que houve aplicação direta da Prefeitura ou do FundoPrev no Banco Master. A partir da resposta de Johnny Maycon, o caso ganhou uma nova camada: segundo o prefeito, a aplicação citada por Marins teria sido feita em 4 de setembro de 2020, quando Renato Bravo era prefeito de Nova Friburgo.Johnny nega Banco Master e aponta 2020
Johnny Maycon afirmou que a operação mencionada por Marcos Marins não foi feita durante sua gestão. Segundo o prefeito, em setembro de 2020, Renato Bravo comandava a Prefeitura, e Marcos Marins ocupou uma subsecretaria de Finanças naquela administração. Johnny também lembrou que Marins disputou as eleições municipais daquele ano como candidato a vice-prefeito na chapa de Renato Bravo. A partir disso, o prefeito afirmou que quem deve explicações à sociedade sobre a origem da aplicação são o vereador e a gestão anterior. A resposta de Johnny tenta deslocar o foco da denúncia. Marins apontou a atual Prefeitura e associou a aplicação ao Banco Master. O prefeito, por sua vez, afirma que o investimento começou antes de sua posse e que não teria relação com o banco citado pelo vereador.Mas o dinheiro ficou aplicado durante a gestão Johnny
Apesar de a aplicação ter sido feita em 2020, como afirma o prefeito, os valores permaneceram aplicados por cerca de quatro anos. Desse período, aproximadamente três anos ocorreram sob a administração de Johnny Maycon, que governa Nova Friburgo desde janeiro de 2021 e segue no cargo, com mandato atual até 31 de dezembro de 2028. Esse é um dos pontos que ainda precisam ser explicados publicamente. Mesmo que a aplicação tenha origem na gestão anterior, ela foi mantida durante parte significativa da atual administração, até a decisão de resgate registrada nos documentos de 2024. O caso Banco Master passou a ganhar repercussão nacional em 2024 e 2025, com reportagens e investigações sobre suspeitas envolvendo operações financeiras do grupo. Até aqui, porém, os documentos municipais analisados pelo EcoSerrano não comprovam aplicação direta do FundoPrev no Banco Master. A pergunta, portanto, não se limita a quem fez a primeira aplicação. Também envolve quem acompanhou o investimento, quando a gestão identificou que ele era desvantajoso, quais pareceres técnicos foram produzidos e por que o resgate só ocorreu depois.A versão da Prefeitura sobre a Meta Asset
Na manifestação, Johnny Maycon afirmou que a operação não possui relação com o Banco Master. Segundo ele, a gestora do fundo Meta Valor Resp Limitada FIF Ações é a Meta Asset Management LTDA, CNPJ 06.088.907/0001-30, apresentada pelo prefeito como uma gestora independente sediada no Leblon, no Rio de Janeiro. Johnny sustentou que a empresa não teria vínculo societário, de controle ou econômico com o Banco Master nem com a Master Asset Management/MAM Asset. Para o prefeito, a denúncia de Marcos Marins teria ocorrido por erro de identificação entre pessoas jurídicas com nomes semelhantes. Essa é a versão da Prefeitura. Do outro lado, a denúncia política apresentada por Marins associa a aplicação ao Banco Master. O EcoSerrano registra as duas posições e reforça que, nos documentos municipais já analisados, o que aparece de forma direta é a aplicação no fundo gerido pela Meta Asset, não uma aplicação nominal no Banco Master.Rito da aplicação também virou alvo
Johnny Maycon também afirmou que o ato realizado em setembro de 2020 teria descumprido o rito legal por não consultar o Comitê do Fundo da Previdência nem o Conselho Municipal de Previdência. Segundo o prefeito, essa situação gera suspeitas que precisam ser apuradas. Ele informou que o Ministério Público Federal, o Ministério Público Estadual e a Polícia Federal estão sendo cientificados para que adotem as medidas que entenderem necessárias. Para o servidor, a diferença é prática: se houve falha no rito, a apuração precisa apontar quem decidiu, com base em qual parecer, com qual autorização e quais controles foram ignorados ou cumpridos.Prefeito diz que resgatou aplicação desvantajosa
Johnny Maycon afirmou ainda que, durante sua gestão, após a constatação de que a aplicação era desvantajosa, a Prefeitura promoveu a alteração do investimento em conformidade com os preceitos legais. Esse ponto dialoga com documentos analisados anteriormente pelo EcoSerrano, que apontavam decisão de resgate total da aplicação no fundo Meta Valor FI Ações em 2024, com transferência dos recursos para aplicação no Banco Itaú. A Prefeitura, porém, ainda precisa esclarecer em detalhes quando a aplicação passou a ser considerada desvantajosa, quais relatórios embasaram essa conclusão, se houve perda realizada no momento do resgate e se o caso foi comunicado a órgãos de controle antes da manifestação pública desta quinta-feira.SIGA O ECOSERRANO NO INSTAGRAM: https://www.instagram.com/ecoserrano/
Johnny também ataca Marins no caso UFF
A resposta do prefeito não ficou restrita ao FundoPrev. Johnny Maycon também levou a disputa para projetos ligados à UFF e à Fundação Euclides da Cunha. O prefeito afirmou que Marcos Marins estaria sendo investigado por indícios de corrupção e citou uma manifestação da CGU e da Diretoria da UFF que teria levado à suspensão de projetos ligados ao vereador, além do afastamento de um coordenador nomeado para esses projetos na universidade. Johnny também afirmou que, segundo informações obtidas no Portal da Transparência da Fundação Euclides da Cunha, Marins teria recebido R$ 614.551,04 em recursos oriundos de emendas parlamentares sem as devidas comprovações de aplicação. Segundo o prefeito, assessores do vereador teriam recebido cerca de R$ 300 mil, enquanto a esposa e o filho do ex-prefeito Renato Bravo teriam recebido, por meio de empresas, R$ 534.716,30. Essas acusações são de responsabilidade do prefeito Johnny Maycon. O EcoSerrano registra a manifestação pública feita por ele e apresenta, na sequência, as respostas dos citados.Marins nega irregularidades e fala em retaliação
Marcos Marins respondeu que as acusações envolvendo a UFF seriam uma repetição de ataques políticos locais. Segundo ele, a denúncia seria semelhante à apresentada no Conselho de Ética e Decoro da Câmara no fim do ano passado e teria como objetivo retaliar sua atuação fiscalizatória. O vereador afirmou que nunca foi ordenador de despesas nem coordenador dos projetos. Segundo Marins, sua atuação ocorreu como prestador de serviços técnicos especializados e docente integrante da equipe de execução. Marins também declarou que o despacho inicial da Ouvidoria da UFF não representa juízo de culpa nem constatação de irregularidade. Para ele, a suspensão cautelar seria um procedimento administrativo padrão diante de qualquer denúncia, usado para preservar documentos e permitir análise. O vereador também afirmou possuir comprovação da materialidade dos serviços prestados, incluindo mídias e prestações de contas, e disse que projetos finalizados tiveram contas analisadas e aprovadas por instâncias de controle. Marins afirmou ainda que tomará medidas por calúnia, difamação e eventual denunciação caluniosa caso identifique má-fé nas acusações.Marins liga reação de Johnny a pedido de CPI
Após o vídeo publicado por Johnny Maycon, o vereador Marcos Marins também se manifestou nas redes sociais. Ele afirmou que o prefeito estaria reagindo às denúncias porque, nesta quinta-feira, deu entrada em um pedido de CPI para investigar o que chamou de “colapso da Previdência” em Nova Friburgo.
Na publicação, Marins não recuou das cobranças e voltou a citar temas que, segundo ele, seguem sem explicação por parte da Prefeitura. Entre os pontos mencionados pelo vereador estão a reforma da cozinha do Hospital Municipal Raul Sertã, o contrato de R$ 15 milhões com a RioCard, suspeitas envolvendo medicamentos e verbas da Saúde, o contrato da EBMA e a situação do Fundo de Previdência dos servidores.
As afirmações são de responsabilidade de Marcos Marins. O EcoSerrano registra a manifestação do vereador como parte da troca pública de acusações entre ele e o prefeito Johnny Maycon. Até o momento, eventuais irregularidades citadas por Marins dependem de apuração dos órgãos competentes e das respostas oficiais dos envolvidos.
Marins também afirmou que é alvo de ataques por exercer fiscalização como vereador de oposição. Na publicação, disse ter “ficha limpa”, “zero processos” e “contas aprovadas”, além de sustentar que não vai deixar de cobrar explicações sobre o uso do dinheiro público municipal.
Com a nova manifestação, a disputa deixou de girar apenas em torno da aplicação no fundo Meta Valor FI Ações e passou a envolver também a tentativa de instalação de uma CPI sobre a Previdência municipal. A eventual abertura da comissão dependerá de tramitação interna na Câmara Municipal de Nova Friburgo.Família Bravo também contesta acusações
A família Bravo também respondeu às acusações. Em nota, afirmou que as alegações de contratação por indicação política ou prestação de serviços inexistentes não procedem. Segundo a família, a empresa contratada possui mais de 30 anos de atuação nas áreas de comunicação, publicidade, marketing, gestão de projetos e soluções estratégicas. A nota também afirma que as contratações seguiram a legislação federal das fundações de apoio e passaram por análise da Procuradoria Federal junto à UFF, órgão vinculado à Advocacia-Geral da União. A família Bravo sustentou ainda que nenhum pagamento teria sido feito sem ateste de servidores públicos federais designados para validar as entregas e que projetos já executados tiveram prestações de contas analisadas e aprovadas.ACOMPANHE O ECOSERRANO
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