Durante programa, Zé Alexandre mostrou caminhos possíveis para contemplar o funcionalismo público com o sonhado Plano de Cargos Carreiras e Salários
Nova Friburgo só abre as portas todos os dias porque existe uma máquina humana por trás dos serviços públicos. Antes do aluno entrar na escola, antes do paciente ser atendido, antes de uma unidade funcionar, antes de qualquer equipamento público receber a população, há servidores mantendo a cidade de pé.Mas uma parte desse funcionalismo afirma que tem trabalhado há anos sem o reconhecimento que considera necessário.A valorização dos servidores públicos municipais voltou ao debate em Nova Friburgo após o presidente do Instituto de Políticas Públicas Municipais, Zé Alexandre de Almeida, tratar do tema no programa Nova Friburgo de A a Zé. A discussão toca em uma reclamação antiga de diferentes categorias: salários defasados, falta de plano de cargos, carreiras e salários, condições de trabalho consideradas inadequadas e um vale-alimentação que, para parte dos servidores, é de apenas R$ 180 por mês.Na prática, esse valor representa cerca de R$ 9 por dia.
O funcionalismo municipal costuma ser lembrado pela população quando algo não funciona. Quando uma escola enfrenta problema, quando uma unidade de saúde demora a atender, quando um serviço público falha, o servidor quase sempre está na linha de frente da cobrança.O que fica menos visível é a estrutura em que muitos desses profissionais trabalham.Nos últimos anos, categorias do serviço público municipal têm tentado sensibilizar a gestão do prefeito Johnny Maycon sobre a necessidade de avanços. Entre as queixas estão a existência de profissionais recebendo abaixo de pisos reivindicados por suas categorias, cobranças por melhorias na Educação, demandas do setor da enfermagem, além de relatos sobre mudanças em escalas, ambientes insalubres e falta de perspectiva concreta de valorização.Professores, profissionais de áreas médicas, biólogos, trabalhadores da enfermagem e outros setores aparecem entre os grupos citados nas reclamações encaminhadas ao debate público.
Vale-alimentação expõe tamanho da cobrança
Um dos pontos mais simbólicos é o vale-alimentação.Segundo as informações apresentadas, apenas uma pequena parcela do funcionalismo recebe o benefício, atualmente no valor de R$ 180 mensais. A quantia, dividida pelos dias úteis do mês, fica próxima de R$ 9 por dia, valor considerado insuficiente diante do custo atual da alimentação.Para os servidores, a discussão não se resume ao benefício. O vale acaba funcionando como retrato de um problema maior: a sensação de que a Prefeitura ainda não apresentou uma política ampla e consistente de valorização do funcionalismo.
Plano de carreira segue como cobrança antiga
Na Educação, uma das principais reivindicações é a criação ou avanço de um plano de cargos, carreiras e salários. A demanda também aparece em outras áreas, como a enfermagem.Esse tipo de plano é importante porque organiza crescimento profissional, critérios de progressão, reconhecimento por tempo de serviço, qualificação e experiência. Sem uma política clara, servidores relatam dificuldade de enxergar perspectiva dentro da própria carreira pública.A crítica feita por diferentes categorias é que a valorização não pode depender apenas de reajustes pontuais ou promessas futuras. Ela precisa entrar no planejamento do município.
Zé Alexandre defende valorização além do salário
No programa, Zé Alexandre de Almeida afirmou que a valorização do funcionalismo vai além da remuneração. Para ele, o tema envolve capacitação, oportunidade de crescimento, reconhecimento da experiência acumulada por quem atua no serviço público e transmissão desse conhecimento para novas gerações de servidores.“Por trás de cada escola, unidade de saúde, equipamento público e serviço prestado à população, existem profissionais que dedicam seu trabalho todos os dias para fazer a cidade funcionar”, afirmou.Zé Alexandre também destacou que, quando o servidor é respeitado e valorizado, a população é diretamente beneficiada.“Um serviço público de qualidade começa pelas pessoas que o fazem acontecer”, disse.
A conta chega para a população
A discussão sobre o funcionalismo não fica restrita aos servidores. Quando uma categoria trabalha desmotivada, com salário defasado, sem plano de carreira ou em condições ruins, o reflexo pode aparecer no atendimento ao cidadão.Na escola, o impacto chega ao aluno. Na saúde, ao paciente. Nos equipamentos públicos, ao morador que depende do serviço. Na administração, aos processos que precisam andar.Por isso, a valorização do servidor público é também uma pauta de qualidade do serviço público.
Sem perspectiva concreta de mudança
Até o momento, segundo o cenário relatado pelas categorias, não há uma perspectiva clara de melhoria ampla para os servidores municipais. As cobranças continuam sendo feitas em diferentes áreas, enquanto o funcionalismo tenta manter o tema vivo no debate público.A Prefeitura de Nova Friburgo ainda não apresentou, dentro do material analisado, um plano de resposta capaz de atender às principais demandas citadas pelas categorias.O ponto central da discussão é simples: a cidade depende diariamente desses profissionais. A pergunta que fica é quanto tempo o município conseguirá sustentar serviços essenciais sem enfrentar, de forma mais profunda, a valorização de quem faz a máquina pública funcionar.