Desafiando a polícia, mulher afirma que lojas estão funcionando normalmente e irá abrir novo estabelecimento
A empresária procurada pela polícia por suspeitas relacionadas a procedimentos estéticos na Baixada Fluminense voltou a aparecer nas redes sociais. Desta vez, não foi para apresentar sua versão sobre as denúncias ou falar sobre o mandado de prisão que está em aberto.A publicação atribuída a Ana Paula Lima de Souza Mariano anunciou uma nova unidade de atendimento na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. O movimento chama atenção porque ocorre enquanto a proprietária do Instituto Paula Lima continua sendo procurada e as investigações avançam.O anúncio, sozinho, não comprova que a nova clínica já esteja funcionando, que tenha recebido pacientes ou que possua todas as autorizações necessárias. Até a publicação desta reportagem, esses pontos não haviam sido confirmados de forma independente.
O Disque Denúncia divulgou um cartaz para auxiliar a Delegacia do Consumidor na localização de Ana Paula, de 44 anos. Segundo as informações tornadas públicas, existe contra ela um mandado de prisão preventiva expedido pela 1ª Vara Criminal de São João de Meriti.A medida foi adotada no contexto da Operação Estética Segura, deflagrada pela Decon em 15 de junho. A ação teve como objetivo cumprir um mandado de prisão e oito de busca e apreensão em endereços na Barra da Tijuca, Madureira, Olaria, São João de Meriti e Belford Roxo. Ana Paula não foi localizada durante as diligências e passou a ser considerada foragida.O DiaO cartaz do Disque Denúncia foi divulgado para receber informações que possam ajudar na localização e prisão da investigada.O São GonçaloNão havia, até a atualização desta matéria, informação pública sobre o cumprimento do mandado.
Mulheres relataram danos após procedimentos
As investigações começaram depois que pacientes procuraram a polícia relatando problemas de saúde após procedimentos de harmonização dos glúteos realizados em uma clínica de Vilar dos Teles, em São João de Meriti.Pelo menos 15 mulheres formalizaram denúncias. O delegado Wellington Vieira, titular da Decon, afirmou acreditar que o número real de pessoas afetadas possa superar 50. Os procedimentos custariam, em média, R$ 10 mil.RecordDe acordo com a apuração policial, uma das hipóteses é que as complicações tenham sido provocadas pelo uso inadequado de polimetilmetacrilato, conhecido como PMMA, ou por contaminação cruzada. Essas possibilidades ainda dependem dos laudos e do avanço da investigação.A Anvisa esclarece que os produtos à base de PMMA registrados no Brasil não são destinados ao aumento indiscriminado de volume para fins meramente estéticos. As indicações aprovadas são reparadoras e a aplicação deve ser realizada por médicos ou cirurgiões-dentistas habilitados e treinados.Anvisa
Clínica já havia sido alvo de fiscalização
Antes da operação de junho, a unidade de São João de Meriti havia sido interditada em uma ação conjunta da Decon com a Vigilância Sanitária.Na ocasião, segundo a polícia, foram encontrados medicamentos e frascos de soro fisiológico fora do prazo de validade. A Vigilância Sanitária autorizou posteriormente a reabertura do estabelecimento. Em nova diligência, outros produtos vencidos foram apreendidos e encaminhados para análise.Ana Paula é investigada por possíveis crimes contra a saúde pública e as relações de consumo, associação criminosa, exercício ilegal da medicina e propaganda enganosa. A existência da investigação e do mandado não representa condenação definitiva, e a responsabilidade criminal dependerá do processo e das decisões da Justiça.
Anúncio aumenta as perguntas
O anúncio de uma unidade na Barra da Tijuca acrescenta uma nova pergunta ao caso: como um negócio ligado a uma pessoa procurada pela Justiça pretende ampliar sua atuação enquanto as denúncias ainda estão sob investigação?Também não está esclarecido quem seria o responsável técnico pela nova unidade, quais serviços seriam oferecidos ou se o local possui autorização sanitária. Essas questões precisam ser respondidas pelos responsáveis e pelas autoridades competentes.O Portal EcoSerrano tentou localizar Ana Paula para que ela pudesse apresentar sua versão, esclarecer o anúncio e se manifestar sobre as acusações. Ela não foi encontrada. O espaço permanece aberto para a investigada ou sua defesa.