Projeto da Águas de Nova Friburgo já recuperou 29 mil metros quadrados na microbacia do Córrego Estrela, afluente do Rio Grande
Uma área antes marcada pela degradação provocada por atividades agropecuárias começa a ganhar outra função em Nova Friburgo: proteger uma das nascentes ligadas ao sistema de abastecimento de água do município. O trabalho acontece na microbacia do Córrego Estrela, afluente do Rio Grande, principal manancial usado para abastecer 57 bairros da cidade.O projeto de recuperação florestal é desenvolvido pela Águas de Nova Friburgo como medida de compensação ambiental junto ao Instituto Estadual do Ambiente, o Inea. Até agora, 29 mil metros quadrados de Área de Preservação Permanente já foram reflorestados com mudas de 71 espécies nativas da Mata Atlântica.A iniciativa segue em execução até o fim deste ano e tem como objetivo recompor a vegetação, proteger o solo, estabilizar as margens do córrego e recuperar funções ambientais que foram perdidas ao longo do tempo.
O espaço onde hoje as mudas se desenvolvem já foi usado como área de pastagem para gado de corte. Segundo o engenheiro florestal Matheus Gandra, responsável pela frente técnica do projeto, a recuperação não ficou restrita ao ponto da nascente.“Esse é um projeto de recuperação florestal desenvolvido como compensação ambiental junto ao Inea e conseguimos a proteção da nascente do Córrego Estrela, que era uma área de pastagem de gado de corte. Também foi recuperada toda a margem do córrego até o encontro com o Rio Grande”, explicou.Entre as espécies já estabelecidas no local estão araucária, araçá e cumaru, além de outras mudas nativas da Mata Atlântica. A diversidade de espécies é uma das bases para que a área volte a formar uma cobertura vegetal mais resistente e capaz de atrair fauna silvestre.
Recuperação tem ligação direta com a água
A importância do Córrego Estrela vai além da área reflorestada. Ele deságua no Rio Grande, principal manancial de abastecimento de Nova Friburgo. A captação feita no Rio Grande atende 57 bairros, o que torna a recuperação da microbacia uma ação ligada diretamente à proteção dos recursos hídricos do município.Na prática, a vegetação no entorno de nascentes e cursos d’água ajuda a reduzir processos de erosão, diminui o carreamento de sedimentos para o córrego e contribui para a qualidade ambiental da bacia. Também favorece a infiltração da água no solo e melhora o equilíbrio do ciclo hidrológico.A diretora da concessionária, Danielle Moreira, destacou a transformação da área e a recuperação da nascente como um dos principais resultados do projeto.“Ver essa área, hoje, consolidada e com uma nascente recuperada é motivo de muito orgulho. Essa área era totalmente degradada e hoje temos essa mata, que contribuiu para a recuperação da nascente do Córrego Estrela”, afirmou.
Trabalho ainda não terminou
Apesar do avanço no reflorestamento, a etapa de acompanhamento é considerada essencial para garantir que a nova vegetação se consolide. Até o fim deste ano, as equipes seguem com ações de monitoramento, manutenção e avaliação da área recuperada.Esse trabalho inclui cuidados para que as mudas sobrevivam, cresçam e formem uma cobertura florestal capaz de cumprir sua função ambiental. A expectativa é que, com a consolidação da vegetação, a microbacia ganhe mais estabilidade, biodiversidade e proteção natural.Além da recuperação da nascente e das margens do córrego, o projeto também contribui para a fixação de carbono e para a criação de novos habitats para animais silvestres.Em uma cidade que depende diretamente de seus mananciais, a recuperação de áreas degradadas em pontos estratégicos deixa de ser apenas uma ação ambiental isolada. No caso do Córrego Estrela, ela se conecta à proteção da água que abastece boa parte da população de Nova Friburgo.