Imagens do Projeto Aventura Animal mostram comportamento que ajuda pesquisadores a conhecer a alimentação e os caminhos percorridos pela espécie
Um novo registro feito nas matas de Bom Jardim mostra que, mesmo longe dos olhos da maior parte da população, a vida silvestre continua em movimento na Região Serrana do Rio (Veja o vídeo no final do texto).As imagens divulgadas pelo Projeto Aventura Animal mostram uma onça-parda durante um comportamento natural de marcação de território. O animal permanece no local e defeca em um ponto que poderá voltar a ser utilizado ou reconhecido por outros indivíduos da espécie.A cena chama a atenção pela proximidade e pela nitidez do registro, mas sua importância vai além da imagem. Vestígios deixados pela onça ajudam pesquisadores e profissionais que acompanham a fauna a compreender como o animal utiliza a área e o que encontra para comer.
Quando recolhidas e examinadas por profissionais, as fezes podem guardar pelos, fragmentos de ossos e outros resíduos das presas consumidas pela onça.A análise desse material ajuda a identificar quais espécies fazem parte de sua alimentação. Paca, capivara, gambá, quati, cateto e tatu estão entre os animais que podem ser encontrados na dieta de uma onça-parda.Isso não significa que o registro feito em Bom Jardim confirme o consumo de alguma dessas espécies. A identificação depende da coleta e da análise técnica do material deixado pelo animal.As amostras também podem fornecer informações genéticas, indicar a presença de parasitas e colaborar na identificação dos indivíduos que circulam pela região. É uma maneira de estudar a espécie sem precisar capturá-la ou interferir diretamente em seu comportamento.
Marcação ajuda a compreender o território
A onça-parda é um animal territorial. Os sinais deixados durante seus deslocamentos funcionam como uma forma de comunicação entre indivíduos da mesma espécie.O acompanhamento desses pontos, junto com as imagens obtidas por equipamentos de monitoramento, permite identificar caminhos utilizados com maior frequência e áreas importantes para alimentação, abrigo e reprodução.Com o passar do tempo, a comparação dos registros também pode mostrar se a onça continua frequentando o local, se outros animais passaram pelo mesmo trecho e se houve alguma mudança no uso da mata.
Presença da onça diz muito sobre a região
Encontrar uma onça-parda não significa apenas confirmar que um grande felino vive ou circula por Bom Jardim. Para permanecer em uma região, o animal precisa encontrar alimento, abrigo e espaço para se deslocar.A presença da espécie indica que a mata ainda mantém parte das relações naturais entre predadores e presas. Como grande carnívoro, a onça-parda participa do controle das populações dos animais que consome e ocupa uma posição importante na cadeia alimentar.Esse equilíbrio também interfere na vegetação. Quando grandes predadores desaparecem, determinadas espécies podem aumentar de forma descontrolada e provocar mudanças em outras partes do ambiente.Por isso, proteger a onça-parda também significa conservar as matas, as fontes de água e os animais que dividem o mesmo território.
Monitoramento registra uma mata em movimento
Uma única imagem não permite determinar quantas onças vivem na região. Para chegar a informações mais amplas, é necessário manter o monitoramento durante longos períodos e comparar registros, vestígios e outros dados coletados em campo.O trabalho realizado em Bom Jardim ajuda a construir esse histórico. Cada passagem mostra um pouco mais sobre os horários de atividade, os trajetos e o comportamento dos animais presentes nos remanescentes de Mata Atlântica da Região Serrana.O registro divulgado pelo Projeto Aventura Animal transforma uma cena discreta da natureza em informação sobre a fauna local. É justamente a continuidade desse acompanhamento que permite conhecer melhor o que ainda vive nas matas e quais áreas precisam de maior atenção.Informações científicas:ICMBio eRevista Brasileira de Zoologia.