Praia ao pôr do sol com pegadas na areia, sugerindo Horário de Verão.

Retorno do Horário de Verão em 2026 divide opiniões

Fenômeno climático pode ser decisivo. Reservatórios do Sudeste já operam abaixo do ideal

O avanço do El Niño previsto para os próximos meses já começa a preocupar especialistas do setor elétrico e autoridades do governo federal. Apesar de o país viver atualmente um cenário confortável nos grandes reservatórios, a combinação entre seca prolongada, calor intenso e aumento do consumo de energia pode recolocar o Horário de Verão no centro das discussões ainda em 2026.
O tema chegou a ser debatido no ano passado, mas acabou descartado. Agora, o cenário climático volta a acender alertas principalmente no Sudeste, região que concentra o maior consumo de energia do país.

Brasil monitora impacto do El Niño e possível pressão no sistema elétrico

Meteorologistas apontam que o fenômeno do El Niño deve ganhar força no Brasil no fim do inverno deste ano, potencializando extremos climáticos em diferentes regiões.

A previsão indica aumento das chuvas e temporais no Sul, enquanto Centro-Oeste, Sudeste e parte do Nordeste podem enfrentar ondas de calor mais intensas e períodos prolongados de estiagem.

Esse cenário preocupa especialmente por coincidir com o avanço da estação seca nas principais áreas consumidoras de energia do país.

Embora o governo federal não trabalhe oficialmente, neste momento, com a retomada do Horário de Verão, integrantes do setor energético admitem que uma mudança brusca no quadro hídrico pode alterar rapidamente a avaliação técnica.

Reservatórios nacionais seguem confortáveis, mas Sudeste entra em atenção

Os maiores reservatórios hidrelétricos do Brasil ainda apresentam níveis considerados seguros.

O reservatório de Sobradinho, na Bahia, opera com 97,6% do volume útil, enquanto Tucuruí, no Pará, está praticamente cheio, com 99% da capacidade.

Já Serra da Mesa, em Goiás, registra 62,8%, e Furnas, em Minas Gerais, aparece com 62,9% do volume útil.

Os dados consolidados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram situação confortável nas regiões Norte e Nordeste, com níveis próximos ou superiores a 94%.

O principal ponto de atenção, porém, está no Sul e no Sudeste.

O subsistema Sul opera com cerca de 28,7% de Energia Armazenada, refletindo os efeitos recentes da estiagem. No Sudeste/Centro-Oeste, apesar do índice ainda considerado estável, técnicos acompanham de perto a tendência de queda dos reservatórios.

Sistema Cantareira e Paraíba do Sul ligam alerta

Diferente dos grandes reservatórios nacionais, os sistemas responsáveis pelo abastecimento de regiões estratégicas do Sudeste apresentam situação mais delicada.

O Sistema Cantareira, responsável por parte do abastecimento da Grande São Paulo, opera atualmente com 41,1% do volume útil — o menor nível para esta época do ano desde a crise hídrica de 2014 e 2015.

O sistema já está na chamada “faixa de atenção”, estabelecida entre 40% e 60%.

A tendência é de redução gradual até o fim do período seco, o que levou a Sabesp a manter medidas preventivas de gestão da distribuição de água.

Na Bacia do Rio Paraíba do Sul, fundamental para o abastecimento do Rio de Janeiro e do Vale do Paraíba paulista, os números também chamam atenção.

O reservatório equivalente da bacia está em cerca de 55% da capacidade, um dos menores patamares registrados desde o fim da década de 1990.

Entre os principais barramentos:

  • Paraibuna: 58,2%

  • Jaguari: 63,7%

  • Funil (RJ): 49,1%

  • Santa Branca: 44,5%

Apesar dos níveis reduzidos, órgãos técnicos afastam risco imediato de desabastecimento.

Governo mantém avaliação permanente sobre Horário de Verão

A posição oficial do Ministério de Minas e Energia é de “avaliação permanente”.

O ministro Alexandre Silveira já declarou que o Horário de Verão só seria retomado em caso de necessidade real ligada à segurança energética ou escassez hídrica severa.

O próprio ONS chegou a recomendar tecnicamente a volta da medida para aliviar a pressão sobre o sistema nos horários de maior demanda.

Ainda assim, o governo avalia que o impacto do Horário de Verão diminuiu nos últimos anos devido à mudança no perfil de consumo dos brasileiros.

Antigamente, o pico de demanda acontecia no início da noite, quando as pessoas chegavam em casa e acendiam luzes e aparelhos.

Hoje, o maior consumo ocorre no meio da tarde, impulsionado principalmente pelo uso intenso de ar-condicionado durante ondas de calor.

Além disso, a expansão das fontes solar e eólica reduziu parte da dependência hidrelétrica que justificava a adoção da medida no passado.

Calor extremo pode mudar rapidamente o cenário

Mesmo sem decisão oficial no horizonte imediato, especialistas alertam que eventos climáticos extremos podem acelerar mudanças no planejamento energético.

Caso o El Niño provoque uma seca mais severa no Sudeste e aumente fortemente o consumo de energia, a discussão sobre o retorno do Horário de Verão pode ganhar força política e técnica ainda neste ano.

O tema, que parecia encerrado nos últimos anos, volta agora ao radar diante de um cenário climático considerado mais imprevisível.

Entenda o cenário do Horário de Verão no Brasil

  • O Horário de Verão vai voltar em 2026? Ainda não há decisão oficial do governo federal sobre a retomada da medida.

  • Por que o tema voltou a ser discutido? A previsão de El Niño, seca e aumento do consumo de energia reacendeu o debate.

  • Os reservatórios estão em situação crítica? No cenário nacional, não. Mas sistemas importantes do Sudeste operam em faixa de atenção.

  • O Horário de Verão ainda economiza energia? Segundo técnicos, o efeito hoje é menor devido à mudança nos hábitos de consumo e ao uso intenso de ar-condicionado.

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