Prato de salmão com cartão Vale-alimentação, simbolizando discussão sobre benefícios.

Revelado o que ficou escondido sobre o vale alimentação a vereadores de Nova Friburgo

A “casta política” tentou distrair alguns detalhes sobre o Auxílio Lagosta de mais de R$ 1.000,00, mas as informações vieram à tona

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O clima dentro da Câmara de Nova Friburgo já era de revolta antes mesmo da votação que selou a aprovação do Vale Alimentação aos vereadores. Servidores públicos acompanhavam a sessão olhando para uma conta simples — e difícil de engolir. Enquanto parte dos trabalhadores da Prefeitura recebe apenas R$ 180 por mês de auxílio alimentação, o equivalente a cerca de R$ 9 por dia útil, os vereadores aprovaram para si próprios um benefício de R$ 50 por dia para alimentação. Na prática, um parlamentar poderá receber entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil mensais extras, além do salário atual de R$ 15,5 mil. A proposta foi aprovada por 11 votos a 8 e rapidamente ganhou um apelido nas redes sociais: “Auxílio Lagosta” (Veja no final como se votou cada vereador).

Contrastes sociais

Mas o que transformou a votação em um terremoto político na cidade não foi apenas o novo benefício. Foi a sequência de contrastes. De um lado, vereadores que aprovaram aumento do próprio salário, agora criam um novo auxílio para si mesmos e mantêm estrutura política bancada com dinheiro público. Do outro, servidores municipais que acumulam perdas, benefícios congelados, cortes de direitos. Muitos dos funcionários presentes lembravam que o auxílio alimentação da Prefeitura não recebe reajuste há três anos. Em alguns casos, o benefício sequer continua existindo: servidores que recebem adicional de insalubridade, por conta da incorporação dos valores no salário, acabam perdendo o vale alimentação.

A sessão virou quase uma afronta

“Nem um almoço simples custa isso hoje”, comentavam os servidores nos corredores da Câmara ao comparar os R$ 9 diários recebidos por trabalhadores com os R$ 50 aprovados para vereadores. O desgaste aumentou ainda mais porque a mesma Câmara rejeitou recentemente o reajuste do Vale Natalino dos servidores municipais, congelado em R$ 500 desde 2021. A comparação passou a circular rapidamente entre grupos de WhatsApp da cidade:
  • R$ 50 por dia para vereadores
  • R$ 9 por dia para servidores
  • Sem reajuste há anos
Mas existe um outro ponto que transformou o caso em algo ainda mais explosivo politicamente: a situação da Educação municipal. No início de 2025, profissionais da rede pública já haviam entrado em confronto político com o governo e parte da Câmara após mudanças que atingiram diretamente direitos históricos da categoria. Entre as principais críticas levantadas por professores e servidores da Educação estavam alterações envolvendo pagamento de regência e impactos no adicional por difícil acesso — verba considerada fundamental para profissionais que atuam em regiões mais afastadas, com deslocamentos longos e condições mais difíceis de trabalho. Na época, trabalhadores denunciaram perda salarial indireta, desvalorização da categoria e aumento da sensação de abandono dentro da rede municipal. Agora, após 1 ano daquele desgaste, os mesmos servidores assistem aos vereadores aprovando rapidamente um novo benefício para a própria classe política; sem discussão, sem ouvir a sociedade. É justamente essa sequência que passou a revoltar parte da população. Porque, para muitos trabalhadores, existe dificuldade fiscal quando o tema é salário de professor, auxílio de servidor ou valorização do funcionalismo. Mas a velocidade muda 
Para o trabalhador é gasto. Para político é direito
Votaram a favor da proposta: Ângelo Gaguinho (PL), Wallace Piram (PL), Max Bill (MDB), Dirceu Tardem (PL), Carlinhos do Kiko (PL), Bruno Silva (MDB), Cascão do Povo (Podemos), Claudio Leandro (PL), Evandro Miguel (MDB), Janio de Carvalho (UNIÃO) e Tia Karla (Republicanos). Votaram contra: Maiara Felício (PT), Maicon Gonçalves (Mobiliza), Cláudio Damião (PT), Christiano Huguenin (PP), Marcos Marins (PSD), Gabriel do Zezinho (Solidariedade), Rômulo Pimentel (Podemos) e José Carlos Schuabb (UNIÃO). No fim da sessão, a discussão deixou de ser apenas sobre alimentação. Virou um debate sobre privilégios Sobre prioridade. E sobre a sensação crescente de que existe uma política confortável para quem está no poder — e uma cidade cada vez mais difícil para quem trabalha todos os dias fora dele.

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