Gato-do-mato-pequeno ameaçado é registrado no Parque Estadual dos Três Picos

RJ: Felino selvagem e em extinção faz rara aparição

Vídeo mostra imagens inéditas de um dos flagrantes mais incríveis da fauna fluminense

As câmeras permaneceram imóveis em meio à vegetação, registrando silenciosamente o que acontecia quando nenhum ser humano estava por perto. Em determinado momento, uma presença discreta cruzou o caminho e transformou as imagens em um registro especial para a fauna de Nova Friburgo (Veja o vídeo no final do texto). O visitante se movimentou rapidamente pela mata. Pequeno, ágil e coberto por manchas, ele pertence a uma espécie que dificilmente permite uma observação direta na natureza. Era um gato-do-mato-pequeno em Nova Friburgo, identificado pelo nome científico Leopardus guttulus. O animal foi registrado no Parque Estadual dos Três Picos por armadilhas fotográficas do Projeto Aventura Animal. Segundo as informações divulgadas pelo projeto, o trabalho é realizado em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente, o Inea.

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Aparição rara na Região Serrana

O gato-do-mato-pequeno apresenta hábitos predominantemente noturnos e solitários. Além de discreto, consegue se deslocar pela vegetação sem chamar atenção, o que torna qualquer registro em vida livre especialmente relevante. As câmeras instaladas na floresta funcionam sem a necessidade da presença constante de pesquisadores. Sensores são acionados quando um animal passa diante do equipamento, permitindo documentar espécies que raramente seriam vistas durante uma caminhada pela mata. O vídeo não representa apenas uma cena curiosa. Ele confirma que uma espécie ameaçada continua utilizando áreas preservadas da Região Serrana como abrigo, local de passagem e território de alimentação.

Felino está ameaçado de extinção

Durante muitos anos, o Leopardus guttulus foi tratado como parte da mesma espécie do Leopardus tigrinus. Pesquisas genéticas, entretanto, demonstraram que são animais distintos. A avaliação técnico-científica mais recente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio, classifica o gato-do-mato-pequeno como Em Perigo (EN). Essa categoria indica um risco muito alto de extinção na natureza. A classificação consta em estudo publicado pelo ICMBio em 2025 e também aparece na Resolução Conabio nº 11, de 2025. No Brasil, o felino ocorre principalmente na Mata Atlântica. Ele pode utilizar tanto florestas preservadas quanto áreas de mata secundária, desde que encontre vegetação densa, alimento e condições para se esconder.

Pequeno no tamanho, enorme para a floresta

A alimentação do gato-do-mato-pequeno inclui pequenos mamíferos, aves, lagartos e anfíbios. Ao caçar, o felino ajuda a controlar naturalmente essas populações e participa do equilíbrio da cadeia alimentar. Sua presença também pode funcionar como um indicador da qualidade ambiental. Animais predadores precisam encontrar alimento, abrigo e alguma conexão entre os fragmentos de mata para sobreviver. Por isso, um registro como o realizado no Parque Estadual dos Três Picos oferece informações importantes sobre a biodiversidade ainda existente na região.

As ameaças que cercam a espécie

A destruição e a fragmentação da Mata Atlântica estão entre os principais perigos enfrentados pelo pequeno felino. Quando as áreas verdes ficam isoladas, os animais precisam atravessar estradas, propriedades e regiões urbanizadas em busca de alimento ou de novos territórios. Isso aumenta o risco de atropelamentos, caça, conflitos com pessoas e contato com animais domésticos. Cães e gatos criados soltos também podem transmitir doenças para espécies silvestres ou disputar alimento dentro das áreas naturais. O registro reforça a importância de manter corredores de vegetação conectados e de preservar as unidades de conservação. Também mostra por que animais domésticos não devem circular livremente dentro ou nas proximidades de áreas florestais. O local exato onde o felino passou não deve ser divulgado. A preservação dessas informações ajuda a proteger o animal e evita interferências no trabalho de monitoramento. Por poucos segundos, o gato-do-mato-pequeno deixou de ser apenas uma presença escondida na floresta. A câmera registrou sua passagem, mas a permanência da espécie em Nova Friburgo dependerá da proteção contínua da mata que ainda serve como seu refúgio.

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