Plumber testing a faucet for leaks, water dripping from the fixture.

RJ: Notícia de colapso se confirma e milhares de moradores serão atingidos

Falhas em sistemas, efeitos das chuvas e uma paralisação de 24 horas: 150 localidades estão comprometidas

Abrir a torneira e não encontrar água — ou receber apenas um fio fraco — já é realidade ou risco imediato para moradores de diferentes regiões do Estado do Rio de Janeiro. Uma sequência de falhas em sistemas de bombeamento, efeitos das chuvas, vazamentos, falta de energia e intervenções programadas compromete o abastecimento em municípios da Baixada Fluminense, Região Serrana, Região dos Lagos, Norte Fluminense e também em bairros da capital. São 11 cidades e 149 bairros atingidos em todo o Estado do Rio. Os comunicados divulgados entre segunda e terça-feira, dias 15 e 16 de junho, continuam relevantes nesta quarta-feira, 17. Mesmo nos locais onde os reparos já foram concluídos, a água não retorna imediatamente a todas as casas. Em alguns municípios, a recuperação completa pode levar 72 horas ou mais, sobretudo nas regiões elevadas e nas extremidades das redes. O problema ficará ainda maior nesta quinta-feira, 18, quando o Sistema Ribeirão das Lajes terá a produção totalmente suspensa durante 24 horas. A paralisação afetará bairros da capital e áreas de Japeri e Queimados, ampliando o número de moradores obrigados a controlar o uso da água armazenada. Não se trata de uma única pane estadual. São ocorrências diferentes que, acumuladas em poucos dias, formam um quadro de pressão sobre o abastecimento e atingem diretamente tarefas básicas: preparar alimentos, tomar banho, lavar roupas, limpar a casa e manter comércios e serviços em funcionamento.

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Baixada pode esperar até 72 horas ou mais

Em Belford Roxo, Duque de Caxias e São João de Meriti, o abastecimento foi reduzido na terça-feira devido a um reparo emergencial em um importante sistema de bombeamento da região. A Águas do Rio informou que técnicos atuaram na manutenção e que o fornecimento seria retomado gradualmente após a conclusão. O prazo de 72 horas ou mais para a normalização significa que os reflexos podem avançar pela quarta, quinta e até pelos dias seguintes em determinados pontos. Em Belford Roxo, foram incluídos no comunicado Centro, Das Graças, Bom Pastor, Redentor, Glaucia, Santa Tereza, São José, Pauline, Barro Vermelho, Piam, Areia Branca, Santo Antônio da Prata, Andrade Araújo, São Vicente e Santa Maria. Em Duque de Caxias, a redução atinge Olavo Bilac, Periquito, Centenário, Centro, Bar dos Cavaleiros, Jardim 25 de Agosto, Parque Duque, Parque Sarapuí, Gramacho, Doutor Laureano, Vila São José, Parque Fluminense e São Bento. Já em São João de Meriti, os bairros informados são Vilar dos Teles, Jardim Sumaré e Jardim Metrópole. Mesmo depois da retomada do bombeamento, a água precisa percorrer novamente as tubulações, preencher reservatórios e recuperar a pressão da rede. Por isso, casas localizadas em pontos altos ou mais distantes costumam ser as últimas a receber o serviço de forma regular.

Quinta-feira terá paralisação de 24 horas

O maior impacto programado começa às 2h desta quinta-feira, 18 de junho. A Cedae suspenderá a produção do Sistema Ribeirão das Lajes até as 2h de sexta-feira, 19, para instalar macromedidores — equipamentos semelhantes a hidrômetros de grande porte, utilizados para medir o volume de água transportado. Durante esse período, o abastecimento ficará comprometido em Japeri, Queimados e em dezenas de bairros do Rio de Janeiro. A recuperação também poderá levar 72 horas ou mais depois da retomada da produção. Na capital, a lista inclui Benfica, Bento Ribeiro, Bonsucesso, Cachambi, Caju, Catete, Catumbi, Centro, Cidade Nova, Cidade Universitária, Complexo do Alemão, Del Castilho, Engenho da Rainha, Engenho Novo, Estácio, Flamengo, Gamboa, Glória, Guadalupe, Higienópolis, Honório Gurgel, Ilha do Governador, Inhaúma, Jacaré, Jacarezinho, Lapa, Laranjeiras, Madureira, Mangueira, Manguinhos, Maré, Marechal Hermes, Maria da Graça, Olaria, Oswaldo Cruz, Penha, Penha Circular, Pilares, Praça da Bandeira, Ramos, Riachuelo, Rocha, Rocha Miranda, Sampaio, Santo Cristo, São Cristóvão, São Francisco Xavier, Saúde, Tomás Coelho, Turiaçu, Vasco da Gama, Vicente de Carvalho, Vila da Penha e Vila Kosmos. Em Queimados, poderão ser atingidos Guandu, Marajoara, Distrito Industrial, Santo Expedito, Coimbra, Valdoriosa, Vista Alegre e Santa Rosa. Em Japeri, a previsão alcança Marajoara, São Cosme e São Damião, Guandu, Mucajá, Bananal, Caramujos, Engenheiro Pedreira, Das Granjas, São Jorge e Dos Eucaliptos. A orientação é reservar antecipadamente a água disponível em caixas e cisternas, adiar lavagem de carros, calçadas e roupas e concentrar o consumo em alimentação, higiene e outras necessidades essenciais.

Chuva comprometeu unidades de tratamento

Em Cachoeiras de Macacu, a elevação da turbidez no ponto de captação levou à paralisação da Unidade de Tratamento Rio Souza. A turbidez aumenta quando a água bruta recebe grande quantidade de sedimentos, terra e matéria levada pelas chuvas, impedindo temporariamente o tratamento dentro dos padrões necessários. O abastecimento ficou reduzido em Boca do Mato, Castália, Valério, Rasgo, Campo do Prado, Centro, Ganguri, Várzea, Boa Vista, Poço Verde, Goiabal, Parque Santa Luiza, São Francisco de Assis, Parque Veneza, Pedreira, Betel, Taboado, Japuíba, Forno Velho, Ribeira, Papucaia e Gleba Colégio. A concessionária informou que a recuperação ocorreria gradualmente após o restabelecimento da qualidade da água no ponto de captação. Como não foi apresentado um horário fechado para a normalização, os moradores ainda precisam acompanhar a situação nesta quarta-feira. As fortes chuvas também paralisaram temporariamente a Unidade de Tratamento Sacarrão, em Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio. A interrupção começou por volta das 15h30 de terça-feira, com previsão de retomada gradativa do abastecimento em até 24 horas após a normalização do sistema.

Monnerat ainda recupera o fornecimento

Na localidade de Monnerat, em Duas Barras, a produção de água foi interrompida durante a madrugada de terça-feira para um reparo emergencial no sistema de bombeamento da captação de água bruta. A unidade voltou a operar na manhã do mesmo dia, mas o abastecimento entrou em recuperação gradativa. Isso significa que algumas residências podem continuar enfrentando baixa pressão ou demora no retorno completo, especialmente em áreas elevadas ou distantes. A recomendação aos moradores é preservar a água armazenada em caixas e cisternas até que a rede esteja completamente estabilizada.

Barra de São João depende de unidade em Rio das Ostras

Em Barra de São João, distrito de Casimiro de Abreu, o abastecimento foi interrompido na terça-feira devido a uma intervenção na Estação de Tratamento de Água Rio Dourado, localizada em Rio das Ostras. A unidade é responsável pela água tratada enviada ao distrito. A paralisação estava prevista entre 8h e 14h, mas o retorno do serviço aos imóveis ocorre gradualmente depois da retomada da produção. Como em outros sistemas, áreas altas e extremidades da rede podem levar mais tempo para recuperar a pressão.

Macaé, São Pedro da Aldeia e Pechincha também foram afetados

Em Macaé, um reparo emergencial da Cedae fez o sistema operar com 80% da capacidade na terça-feira. Foram afetados Barra de Macaé, Bairro da Glória, Cavaleiros, Centro, Imbetiba, Jardim Guanabara, Jardim Sol y Mar, Lagoa, Malvinas, Miramar, Parque Aeroporto, Parque Valentina Miranda, São Marcos e Visconde de Araújo. Embora o serviço tivesse conclusão prevista para o fim da manhã, a normalização poderia levar até 24 horas nas áreas atingidas. Portanto, ainda podem existir reflexos nesta quarta-feira. Em São Pedro da Aldeia, um vazamento em uma tubulação de grande porte reduziu parcialmente o abastecimento no Centro, Morro dos Milagres, Boa Vista, Campo Redondo e São José. O reparo estava previsto para terminar às 18h de terça-feira, seguido de recuperação gradativa. No Pechincha, na Zona Sudoeste da capital, uma manutenção emergencial na Estação Elevatória Francisco Lobo poderia afetar as ruas Caicó, Monsenhor Marques, Comendador Siqueira e Maença. O prazo de normalização informado foi de até 12 horas após a retomada da unidade.

Furto de cabos atingiu sistema da Freguesia

Na Freguesia, também na Zona Sudoeste do Rio, a operação das elevatórias Pau Ferro e Assis Republicano foi interrompida na segunda-feira depois do furto de cabeamentos. A ocorrência provocou falta de energia nas unidades e poderia gerar baixa pressão ou interrupção no fornecimento das áreas atendidas. Após a recuperação operacional, a normalização foi estimada em até 12 horas. O episódio mostra como o abastecimento pode ser afetado não apenas por defeitos técnicos ou condições climáticas, mas também por ações criminosas contra a infraestrutura.

O que o morador deve fazer

Quem mora nas áreas mencionadas deve evitar o desperdício mesmo que a água ainda esteja chegando normalmente. Em períodos de redução, a pressão pode cair sem aviso, e imóveis sem caixa-d’água ficam mais expostos à interrupção. A água armazenada deve ser priorizada para beber, preparar alimentos e manter a higiene. Lavagem de carros, quintais, calçadas e outras atividades de consumo elevado devem ser adiadas. Clientes da Águas do Rio podem buscar atendimento pelo telefone e WhatsApp 0800 195 0 195. Em áreas atendidas pela Cedae, o número é 0800 282 1195. Para a Iguá Rio, o atendimento ocorre pelo telefone e WhatsApp 0800 400 0509. Nas áreas da Prolagos, o contato divulgado é 0800 7020 195. A dimensão real do impacto dependerá da velocidade de recuperação de cada sistema e da quantidade de água armazenada nos imóveis. Para muitas famílias, no entanto, a dificuldade não terminará com a conclusão do reparo: a rede ainda precisará recuperar pressão e alcançar novamente os pontos mais altos e distantes.

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