SUS muda protocolo e intensifica novas orientações de saúde. Veja todos os detalhes
O inverno de 2026 começou sem aquele comportamento previsível de dias frios, tempo seco e noites mais estáveis. No Sudeste, a estação deve ser marcada por uma mistura que exige atenção: temperaturas mais altas do que o normal, chuva fora do padrão e mudanças na rotina de consumo de energia.A explicação está na atuação do El Niño, fenômeno climático que altera a circulação atmosférica e influencia o comportamento das chuvas e das temperaturas em várias regiões do planeta. No dia a dia, isso significa um inverno menos “clássico” e mais irregular.Para moradores do Sudeste, a sensação pode ser contraditória. Em alguns dias, o frio aparece. Em outros, o calor volta com força. Em vez de uma estação seca e estável, a previsão indica um período com maior variação e possibilidade de chuva acima da média em algumas áreas.Segundo Ana Paula Paes, meteorologista e consultora da Energisa, a Zona da Mata mineira deve sentir esse comportamento de forma clara. A região pode registrar chuvas acima da média, com volumes mensais passando de 40 milímetros mesmo em um período historicamente mais seco. Já as temperaturas devem subir gradualmente ao longo da estação, com maior percepção em agosto, quando os termômetros podem ficar até 1,5°C acima do normal para a época.
O efeito prático desse cenário aparece dentro de casa.Em um inverno mais frio, o consumo de energia costuma ser influenciado por chuveiros elétricos, aquecedores e maior permanência em ambientes fechados. Mas, quando a estação tem dias quentes, a rotina muda. Ventiladores, ar-condicionado, geladeiras, freezers e equipamentos eletrônicos passam a dividir o peso da conta.Esse tipo de oscilação torna o consumo menos previsível. Famílias podem alternar dias de banho mais quente com dias de uso intenso de ventilação. Em casas com crianças em férias escolares, o movimento aumenta ainda mais: televisão, videogame, computador, celular carregando, geladeira sendo aberta com mais frequência e maior uso de aparelhos ao longo do dia.A Energisa orienta que o período seja encarado como oportunidade para reforçar hábitos simples de economia. Desligar aparelhos da tomada, trocar lâmpadas antigas por LED, evitar abrir a geladeira sem necessidade, não guardar alimentos quentes e reduzir o tempo de banho estão entre as medidas recomendadas.O gerente da Energisa Minas Rio, Filipe Dini, afirma que pequenas mudanças ajudam a otimizar o uso da energia, preservar recursos e manter conforto sem desperdício.
Férias escolares aumentam consumo e exigem cuidado
A coincidência entre inverno e férias escolares também pesa.Com crianças e adolescentes mais tempo em casa, cresce o uso de eletrônicos e eletrodomésticos. Além da conta de luz, há um ponto de segurança: aparelhos carregando, fios, tomadas e extensões exigem supervisão.A recomendação é evitar o uso de dispositivos enquanto estão conectados à tomada e manter crianças longe de fios expostos, benjamins sobrecarregados e equipamentos elétricos em locais inadequados.Em uma estação mais instável, o cuidado precisa considerar também a possibilidade de chuva fora de época. Em dias de tempestade, é importante evitar contato com equipamentos ligados à tomada e redobrar atenção com áreas externas, alagamentos e descargas elétricas.
Clima extremo também virou pauta de saúde pública
O comportamento mais irregular do clima não mexe apenas com a conta de energia.O Ministério da Saúde anunciou, nesta terça-feira, 30, a ampliação da Força Nacional do SUS para aumentar a capacidade de resposta a emergências climáticas e desastres. O pacote inclui oito novas bases distribuídas pelo país, com objetivo de permitir chegada a qualquer emergência em até 12 horas e início de ações compatíveis com a gravidade do desastre em até 72 horas.A expansão faz parte de uma estratégia nacional de adaptação do setor saúde às mudanças climáticas. A estrutura deve apoiar estados e municípios em situações como ondas de calor, enchentes, deslizamentos, incêndios, seca, crises sanitárias e eventos de massa.O Rio de Janeiro está entre os locais previstos para receber base da Força Nacional do SUS, ao lado de outras cidades estratégicas no país.
Calor extremo passa a ser monitorado em todos os municípios
Outra medida anunciada pelo Ministério da Saúde foi o Painel Nacional de Monitoramento e Previsão de Excesso de Calor e Equidade em Saúde.A ferramenta prevê risco de calor extremo para os 5.570 municípios brasileiros com até cinco dias de antecedência. O sistema cruza dados meteorológicos com indicadores de vulnerabilidade social para identificar áreas e grupos mais expostos.Na prática, o painel pode ajudar gestores a antecipar ações em dias de calor perigoso, especialmente para idosos, crianças, gestantes, pessoas doentes ou acamadas, trabalhadores expostos ao sol e pessoas em situação de rua.As orientações do Ministério da Saúde para períodos de calor extremo incluem beber mais água, mesmo sem sede, evitar bebidas alcoólicas e muito açucaradas, reduzir exposição ao sol entre 10h e 16h, usar protetor solar, chapéus e óculos escuros.
O inverno que cobra adaptação
O inverno de 2026 mostra como a rotina das famílias está cada vez mais ligada ao comportamento do clima.Uma estação menos fria não significa, necessariamente, uma estação mais confortável. Dias quentes fora de época podem aumentar o consumo de energia, ampliar riscos à saúde, exigir mais hidratação e pressionar serviços públicos em situações de eventos extremos.No Sudeste, o desafio será lidar com uma estação menos previsível. Em casa, isso passa por consumo consciente e segurança elétrica. Nas cidades, por planejamento, monitoramento e resposta rápida.O El Niño transforma o inverno em um período mais dinâmico. E, para moradores, empresas e governos, a palavra-chave passa a ser adaptação.Descrição acessível da foto de capa: a imagem mostra um homem de costas, em um dia de muito sol no Rio de Janeiro, jogando água de uma garrafa sobre a cabeça para se refrescar. Ele está em um calçadão próximo à praia. Ao fundo aparecem pessoas caminhando, coqueiros, prédios, montanhas e céu azul, reforçando a sensação de calor intenso.