Fachada do Hospital Municipal Raul Sertã em Nova Friburgo

Exclusivo: Hospital Raul Sertã é reprovado em vistoria feita em abril

Publicado: Última atualização em 430 visualizações

EcoSerrano teve acesso a documento oficial que aponta “falta de, organização, de gestão” e que ações de melhorias teriam como base “intuição”. Veja tudo na matéria

Após diversas denúncias da vereadora Priscilla Pitta sobre problemas na gestão do Hospital Municipal Raul Sertã, o Ministério Público do Rio de Janeiro realizou uma inspeção na unidade. O EcoSerrano teve acesso com exclusividade ao documento do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro com o parecer da visita técnica de seus membros ao (HMRS) no dia 17 de abril. Segundo o documento, os parâmetros da legislação e dos marcos normativos de referência estão parcialmente atendidos, no entanto, assim como a investigação da vereadora Priscilla Pitta apontou, o MPRJ também entendeu que no quadro geral, a avaliação do hospital é negativa. Foram observadas inadequações nas estruturas físicas da Unidade e na aplicação de processos de gestão hospitalar. Diz o documento que no dia 17 de abril de 2024, os Técnicos Periciais (TP) – os médicos Rosemary Thami e Celso Montenegro -, acompanharam o Promotor de Justiça Dr. José Alexandre Maximino Mota em Vistoria Técnica ao Hospital Municipal Raul Sertã. A equipe do MPRJ foi recebida por Idenilson de Moura Rodrigues, Diretor Geral da Unidade e por Eliana Curti, Diretora Administrativa responsável pelos recursos humanos, que responderam aos questionamentos formulados. Se juntaram ao grupo o Vice-Prefeito, Serginho, o Secretário Municipal de Saúde, Gabriel Wenderroschy, e o Coordenador Municipal de Saúde, Dr. Danilo Cassani.

A partir de agora, os moradores de Nova Friburgo e região serrana contam com um novo canal para compartilhar suas experiências, denúncias e flagrantes através do portal EcoSerrano. Este espaço livre permite que os cidadãos enviem vídeos e fotos de uma variedade de situações, como batidas, brigas, acidentes de trânsito, queimadas e informações sobre crimes.  LINK PARA O CANAL: https://chat.whatsapp.com/ERr5AYCO0Nq0g0KXQC21iL

O parecer do MPRJ afirmou que não foi possível obter informações importantes tais como a realidade financeira do hospital, ou seu orçamento anual previsto para 2024, e constatou-se a inexistência de um Plano Diretor, de modo que as melhorias eram empreendidas conforme a oportunidade e disponibilidade de recursos (sem programação financeira). “Não havia sido implantada qualquer metodologia de contabilidade e custos, dificultando a avaliação de eficiência da Unidade em seus vários setores, e conferindo um caráter intuitivo à gestão. Foi constatado que o HMRS não dispunha de um planejamento que permitisse o estabelecimento de metas anuais, para confronto com indicadores de desempenho e sua provável implicação na distribuição de recursos financeiros e força de trabalho, bem como a oportuna inclusão no Plano Municipal de Saúde (PMS) e na Programação Anual de Saúde (PAS)”.

Ainda de acordo com o documento obtido pelo EcoSerrano, os dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) não estavam atualizados, e os responsáveis técnicos das áreas de medicina, enfermagem, nutrição, fisioterapia e farmácia ainda não estavam devidamente registrados nos respectivos Conselhos de Classe. A Administradora comentou que houve um concurso público em 2023, para contratação sob o regime da CLT, cujo resultado foi homologado pela Prefeitura, com foco no município como um todo, sendo que, para a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), não havia metas baseadas no planejamento de médio prazo, e as necessidades por área, função ou especialidade ainda não estariam definidas.

A vistoria, feita pelos técnicos periciais e promotor de justiça, avaliou as condições físicas e de gestão do hospital, buscando verificar se as determinações legais e judiciais estão sendo cumpridas. Veja o que fora apontado pelo MPRJ, a respeito do Hospital Municipal Raul Sertã:

  1. Problemas Identificados na Gestão:

    • Planejamento e Finanças:

      • Falta de informações sobre a realidade financeira do hospital e ausência de um orçamento anual definido.
      • Inexistência de um Plano Diretor, o que resulta em melhorias feitas sem planejamento financeiro adequado.
      • Ausência de um sistema de contabilidade e custos, dificultando a avaliação da eficiência dos serviços do hospital.
    • Recursos Humanos:

      • Dados desatualizados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).
      • Falta de registro dos responsáveis técnicos nos conselhos de classe.
      • Concurso público realizado em 2023, mas sem metas claras ou planejamento de necessidades.
      • A equipe é composta por funcionários estatutários e celetistas, com controle de frequência manual.
      • Dificuldade em reter profissionais, especialmente médicos socorristas, devido às condições de trabalho.
    • Infraestrutura e Segurança:

      • Inexistência de licença de funcionamento e falta de liberação das instalações pelo Corpo de Bombeiros.
      • Ausência de brigada de incêndio e controle de extintores de incêndio.
      • Várias obras e serviços dependem de empresas terceirizadas.
      • Falta de um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS).
  2. Serviços e Equipamentos:

    • Hemocentro:

      • Funciona como posto avançado do HEMORIO, com parte dos equipamentos fornecidos e mantidos pelo HEMORIO.
    • Terapia Renal Substitutiva:

      • Serviço de hemodiálise oferecido tanto para munícipes quanto para não munícipes.
    • Exames e Laboratórios:

      • Exames laboratoriais são realizados no próprio hospital, mas exames anatomopatológicos dependem de terceiros.
    • Emergência:

      • A emergência atende uma grande quantidade de pacientes, com uma linha específica criada para casos suspeitos de dengue durante a vistoria.
      • Há improvisações no atendimento devido à grande demanda e falta de revitalização das instalações.
  3. Outros Pontos Importantes:

    • O hospital enfrenta dificuldades na distribuição de pacientes entre a UPA de Nova Friburgo e o próprio hospital.
    • Os leitos de psiquiatria estão em fase final de habilitação pelo Ministério da Saúde, o que garantirá custeio regular.
    • A gestão da unidade é feita sem um sistema informatizado completamente operacional.
    • A falta de uniformização e identificação dos funcionários é uma queixa recorrente dos usuários.

Continuação das avaliações

  • Hipodermia e Sala de Eletrocardiografia (ECG) – área da Hipodermia, onde os pacientes recebem medicação por via subcutânea, estava em condições preocupantes, com sinais de desgaste e falta de controle de vetores, especialmente importante durante uma epidemia de Dengue. Na sala de ECG, usada para testes cardíacos, a condição era precária, com sujeira e equipamentos danificados.
  • Estar médico – Era um local desorganizado e sujo, usado pelos médicos para descanso, mostrando falta de cuidado tanto da administração quanto dos usuários.
  • Sala de trauma – Embora chamada de “sala de trauma”, estava sendo utilizada para pacientes com problemas médicos graves, sem espaço para atender traumas emergenciais. A falta de uma enfermeira dedicada agravava a situação.
  • Expurgo e Depósito de Material de Limpeza (DML) – As portas dessas áreas permaneciam abertas para as áreas de atendimento, o que não é higiênico.
  • Enfermarias de repouso masculino e feminino – Ambas estavam superlotadas e inadequadamente equipadas, com falta de climatização na ala feminina. Além disso, não havia enfermeira dedicada à sala de trauma, e os pacientes em situações críticas não estavam recebendo atendimento adequado.
  • Pediatria –Embora recentemente reformada e climatizada, a enfermaria pediátrica também sofria de superlotação e falta de espaço.
  • Ouvidoria – O horário de funcionamento foi reduzido recentemente, e havia várias queixas, incluindo atraso nos resultados de exames e falta de uniformes para os funcionários.
  • Farmácia – Apesar de algumas melhorias, como a criação de “farmácias satélites”, a Farmácia ainda enfrentava problemas de espaço e organização, além de não estar em conformidade com todas as regulamentações.
  • CTI e Unidade Coronária – Embora bem equipados, havia déficits na equipe de enfermagem e problemas com janelas cobertas com papel, o que é inadequado.

Centro Cirúrgico e CME:

O Centro Cirúrgico (CC) e a Central de Material e Esterilização (CME) são partes essenciais de um hospital para realizar cirurgias com segurança e garantir a esterilização adequada dos materiais. O novo CC e CME foram elogiados por suas instalações modernas. O CC tem seis salas cirúrgicas e uma sala de recuperação pós-anestésica. Em março de 2024, 232 cirurgias foram realizadas no hospital. Além disso, as colonoscopias ainda eram realizadas neste ambiente. A nova CME possui várias áreas para diferentes etapas do processamento de materiais cirúrgicos, como recepção, lavagem, secagem, preparo e esterilização. Equipamentos modernos foram adquiridos para a CME. No entanto, foram identificadas algumas preocupações:

  • A enfermeira coordenadora da CME não estava presente durante a inspeção.
  • As técnicas que trabalham na CME não estavam devidamente vestidas com equipamentos de proteção individual (EPIs).
  • Não havia um procedimento operacional padrão (POP) específico para o setor, ou não era fiscalizado o seu cumprimento.
  • Também foram observados problemas no fluxo de profissionais e materiais dentro da CME, indicando uma falta de organização e adesão aos procedimentos de segurança.
  • Os itens processados na CME foram testados conforme normas, mas ainda havia questões operacionais e de segurança a serem abordadas.

Abrigo de Resíduos e Lavanderia:

O abrigo de resíduos não estava em conformidade com as regulamentações da ANVISA, apresentando problemas como acúmulo de lixo não identificado e falta de condições adequadas. As instalações elétricas no pátio externo estavam improvisadas, representando um risco de incêndio. Por outro lado, a lavanderia foi elogiada por suas boas instalações e práticas adequadas de processamento de roupas, apesar de alguns desafios, como a falta de enxovais suficientes.

O EcoSerrano entrou em contato com a Prefeitura de Nova Friburgo, mas até o fechamento desta reportagem não obteve retorno.

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