Raul Sertã: “A negligência dos médicos matou a minha mãe”

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Em quase seis horas de audiência, Conselho Municipal e sociedade civil expõe graves problemas no Hospital Raul Sertã e atendimentos no Município 

Na última sexta-feira, 4, o vereador Marcinho Alves presidiu uma Audiência Pública para tratar sobre a Saúde do Município. Pelo lado da Prefeitura, estiveram presentes a Secretária de Saúde, Nicole Cipriano, coordenadores de UBS’s, subsecretários e diretoria do Hospital Municipal Raul Sertã. Também estiveram presentes, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro, membros do Conselho Municipal de Saúde, além da sociedade civil.

No início da sessão, Marcinho realizou uma apresentação com base em dados da própria Prefeitura, referentes a uma pesquisa divulgada em 2021. O objetivo, segundo o vereador, é alertar à Secretaria de que a população já sinalizou à pasta os pontos em que precisa melhorar com urgência.

Na apresentação, Marcinho constatou a insatisfação dos pacientes e familiares quanto o acesso à informação, a demora nos atendimentos, as dificuldades em se conseguir leitos, a falta de médicos.

“Da recepção até a parte de leitos a população tem reclamado que falta informação. Acredito que se esse problema for resolvido, se a população tiver a orientação correta e ela for passada de forma clara e rápida, muitos problemas lá dentro vão se resolver”, disse Marcinho.

A Secretária de Saúde, após a apresentação de Marcinho, destacou que o município vai fazer um investimento na informatização do Hospital Municipal Raul Sertã. Segundo Nicole, após a finalização deste processo, o paciente terá acelerado e de forma fiel, informações não só a respeito do atendimento naquele momento, quanto ao seu histórico. “Da mesma forma, os médicos e enfermeiros terão em suas mãos as informações necessárias para melhor atender o paciente”, esclareceu a Secretária.

A Secretaria também informou que algumas mudanças foram feitas, principalmente no acolhimento aos pacientes, logo na porta de entrada do hospital. “É uma recomendação do próprio governo federal. E de que forma vem esse acolhimento? Vem através das classificações de risco do paciente, que, através de pulseiras coloridas, podemos separar àqueles que precisam de atendimento urgente daqueles menos graves”. No entanto, assim como afirmou a secretária, apesar de ter um profissional de enfermagem realizando esta triagem, o processo para aquisição das pulseiras coloridas ainda está em trâmite e não foi finalizado.

“É para pedir o afastamento da Secretária”, diz membro do CMS

Membro do Conselho Municipal, a jornalista Denise Lopes, destacou o baixo índice de satisfação da população perante aos atendimentos do Raul Sertã. “De acordo com os dados divulgados pelo portal da transparência, a percentagem de insatisfação da população com os serviços de saúde são baixíssimas e quem fornece a saúde pública é o Município. Uma secretaria, uma subsecretaria precisa trabalhar em horário integral para resolver os problemas. A gente tem demanda de tudo. O que nós estamos passando em Friburgo, falei para a Defensora Pública, é para pedir o afastamento da Secretária de Saúde de imediato. Eu falo gestão pública e não de pessoa”, concluiu Denise.

Depoimentos emocionaram presentes

Logo em seguida, Sarona Pedretti, membro da sociedade civil, realizou depoimento que emocionou os presentes ao contar o caso de sua mãe que deu entrada no hospital Raul Sertã com pedra na vesícula, mas devido a diversas complicações, não resistiu e veio a falecer há cerca de 10 dias.

Segundo o depoimento, houve demora para que sua mãe realizasse a cirurgia, em função da não assinatura de um parecer médico. “Minha mãe morreu por negligência. Ela deu entrada com pedra na vesícula dia 29 de abril e só foi operada em 20 de maio. A negligência dos médicos que precisam assinar parecer mataram a minha mãe. 

Por conta da demora do atendimento, a minha mãe morreu. Minha mãe ficou sem soro por dois dias porque não tinha agulha. O Raul Sertã tem médico. O Raul Sertã precisa de fiscalização e planejamento. O que falta no Raul Sertã é caráter, é honrar o jaleco que veste. Minha mãe entrou andando e saiu dentro de um saco preto”, disse emocionada.

Daniela Garcia que está com seu filho internado fez várias denúncias quanto a falta de medicação no hospital. “A saúde está precária. Eu larguei o meu trabalho para me dedicar ao meu filho que está lá no Raul Sertã. Tem gente na área do Covid internado e não tem remédio. Meu filho precisa ser operado e disse que de quinta a domingo não havia médico. O que nós queremos é saúde. São pessoas gritando dentro do Raul. Meu filho me enviou uma mensagem reclamando da quentinha. Os enfermeiros tiram dinheiro do próprio bolso para comprar para os pacientes. Remédio que pra Saúde é bobo, mas pra gente é vida”, disse.

2 comentários

Roberto Monnerat 6 de julho de 2022 - 18:00

Parabéns a voce.

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Saúde: O que a Prefeitura não quer que, supostamente, os friburguenses saibam - EcoSerrano 20 de dezembro de 2023 - 07:32

[…] para que sua mãe realizasse a cirurgia, em função da não assinatura de um parecer médico. “Minha mãe morreu por negligência. Ela deu entrada com pedra na vesícula dia 29 de abril e só foi operada em 20 de maio. A […]

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