Representantes do STIVNF durante mobilização pelos direitos e pela campanha salarial dos trabalhadores do vestuário de Nova Friburgo.

Sem acordo salarial, sindicato do vestuário perde a paciência e ameaça acionar o MPT em Nova Friburgo

Sindicato afirma que ainda não recebeu contraproposta patronal e cobra reajuste, alimentação, auxílio-creche e participação nos lucros

A campanha salarial dos trabalhadores das indústrias do vestuário de Nova Friburgo permanece sem acordo mais de um mês após a data-base da categoria, vencida em 1º de maio. Diante da falta de avanço nas negociações, o sindicato que representa os trabalhadores avalia procurar o Ministério Público do Trabalho para buscar a mediação do impasse. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo, o STIVNF, as reivindicações apresentadas para a convenção coletiva de 2026 ainda não receberam uma contraproposta do setor patronal. A entidade afirma que o tempo de espera aumentou a insatisfação entre os trabalhadores e que novas assembleias e atos de mobilização poderão ser convocados. Até o momento, porém, o sindicato não informou datas para essas atividades.

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A ausência de acordo afeta uma categoria diretamente ligada a um dos principais setores econômicos de Nova Friburgo. O polo de moda íntima movimenta confecções, facções, lojas, fornecedores e prestadores de serviços, com forte presença de mulheres na produção. Sem uma nova convenção coletiva, permanecem em discussão temas que interferem diretamente na renda e na rotina dos trabalhadores, como recomposição salarial, alimentação durante a jornada, apoio às mães e participação nos resultados das empresas. Entre as reivindicações apresentadas pelo STIVNF está um reajuste salarial de 8%, defendido pela entidade como necessário para recuperar parte do poder de compra perdido com o aumento do custo de vida. O sindicato também pede que o prêmio por produtividade seja calculado sobre o piso salarial real de cada função. A proposta busca evitar que trabalhadores de diferentes atividades recebam valores calculados a partir de uma referência única e inferior ao salário correspondente ao serviço executado. Na área de alimentação, a pauta prevê cesta básica ou vale-refeição de R$ 350. O sindicato reivindica ainda o pagamento de triênio como forma de valorizar o tempo de permanência na empresa. Para trabalhadores com filhos pequenos, a proposta inclui auxílio-creche de R$ 623,70. Outro ponto é a criação de uma participação nos lucros e resultados no valor de R$ 500, condicionada ao cumprimento de metas e resultados. Os valores e critérios ainda dependem de negociação entre as representações dos trabalhadores e dos empregadores. O STIVNF sustenta, entretanto, que a falta de contraproposta impede que as partes avancem para uma possível composição.

Sindicato considera procurar o Ministério Público do Trabalho

O próximo passo estudado pela direção sindical é levar o impasse ao Ministério Público do Trabalho. A intenção, segundo o STIVNF, seria buscar a abertura de uma mediação e fazer com que as negociações sejam retomadas de maneira efetiva. O acionamento do MPT não representa a aprovação automática das reivindicações nem substitui a negociação coletiva. A participação do órgão pode, entretanto, criar um espaço institucional de diálogo entre os sindicatos laboral e patronal. A reportagem ainda não recebeu o posicionamento do sindicato patronal sobre as alegações apresentadas pelo STIVNF, sobre a ausência de contraproposta e sobre os itens reivindicados pela categoria. A manifestação poderá ser incorporada ao conteúdo caso seja encaminhada.

STIVNF também critica evento do Dia da Costureira

Paralelamente à campanha salarial, o STIVNF criticou a Prefeitura de Nova Friburgo pela condução das festividades relacionadas ao Dia da Costureira. A entidade afirma que não recebeu convite formal ou informal para participar das agendas oficiais. Em publicação nas redes sociais, o sindicato declarou que a representação dos trabalhadores teria sido ignorada durante as comemorações. Para a direção, celebrar a atividade sem convidar a entidade laboral significa deixar de incluir a categoria nas discussões relacionadas ao setor. O STIVNF se apresenta como o maior sindicato laboral do Estado do Rio de Janeiro e afirma representar mais de 20 mil trabalhadores da indústria do vestuário. Os números são divulgados pela própria entidade. Em resposta ao questionamento, a Prefeitura de Nova Friburgo afirmou, por meio de sua Comunicação, que o evento foi aberto ao público e amplamente divulgado nas redes sociais oficiais. Segundo o Município, o prefeito também publicou o convite em seu perfil pessoal. A Prefeitura respondeu ainda sobre uma das reivindicações associadas à campanha salarial: a oferta de creche em tempo integral. De acordo com a Comunicação municipal, o atendimento integral disponível atualmente observa o horário estabelecido pelo Ministério da Educação e a capacidade existente de recursos humanos. A Prefeitura acrescentou que o período reivindicado pelo sindicato seria de dez horas. O STIVNF, por outro lado, considera que a ausência de convite dirigido à representação sindical demonstra falta de reconhecimento institucional. Para a entidade, a participação formal permitiria levar às agendas públicas demandas concretas de quem trabalha diariamente nas confecções. Com a convenção coletiva ainda indefinida, a categoria aguarda a retomada das negociações. O sindicato orientou os trabalhadores a acompanharem seus canais oficiais, onde deverão ser divulgadas eventuais assembleias, atos ou novas medidas relacionadas à campanha salarial.

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