Representantes de projetos tecnológicos apresentam soluções para melhorar o transporte público do Rio durante eventos climáticos extremos.

Tecnologia promete antecipar falhas e reduzir atrasos dos ônibus durante chuvas extremas no Rio

Projetos serão implementados para reorganizar a mobilidade urbana do Rio de Janeiro 

Para quem depende diariamente de ônibus no Rio de Janeiro, uma chuva intensa pode significar muito mais do que chegar molhado ao destino. Vias alagadas, bloqueios, desvios inesperados e falhas na circulação podem aumentar o tempo de espera, dificultar a volta para casa e deixar o passageiro sem informação sobre qual caminho seguir. Quatro projetos tecnológicos foram desenvolvidos com a proposta de reduzir esses impactos e ajudar a cidade a reagir com maior rapidez durante eventos climáticos extremos. As soluções foram apresentadas no Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio, o COR-Rio, e poderão ser aproveitadas pela administração municipal. A ferramenta considerada mais preparada para avançar à próxima etapa foi desenvolvida pela startup Busvision. A plataforma pretende organizar e acompanhar a operação dos ônibus, antecipando problemas que possam comprometer as linhas e permitindo ajustes no planejamento do transporte.

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Na prática, a proposta busca oferecer ao poder público uma visão mais rápida das falhas do sistema. Isso pode ajudar na reorganização de trajetos, na tomada de decisões durante bloqueios e na redução do tempo necessário para responder a um problema que já esteja afetando os passageiros. O projeto será aperfeiçoado dentro do COR-Rio e poderá ser colocado em operação com a Secretaria Municipal de Transportes em até dois anos, desde que alcance os critérios técnicos e operacionais estabelecidos durante o período de incubação. O prazo mostra que a solução ainda não estará disponível imediatamente para a população. Antes de ser integrada ao sistema, a tecnologia passará por ajustes, testes e avaliações para verificar se consegue funcionar dentro da complexidade da rede de transporte do Rio. A Busvision terá até 22 meses para utilizar a estrutura do COR-Rio e o suporte das instituições envolvidas no desenvolvimento. Durante esse período, a equipe deverá aprimorar a plataforma e demonstrar sua capacidade de aplicação em situações reais. Segundo Giuliano Dal Bó, CEO da startup, a tecnologia foi criada a partir de um problema concreto e tem como objetivo tornar a operação dos ônibus mais previsível. “É uma plataforma capaz de orquestrar o sistema de transporte realizado por ônibus, antecipar falhas, otimizar o planejamento e reduzir custos operacionais de forma mensurável”, afirmou. Para o passageiro, os resultados esperados passam por pontos básicos, mas ainda difíceis em situações de crise: maior pontualidade, menos interrupções inesperadas, respostas mais rápidas e informações que permitam reorganizar o próprio deslocamento.

Outras três soluções ainda podem ser aproveitadas

Os projetos apresentados pelas equipes FADAF, Rihanna e VAMO também poderão ser incorporados às iniciativas do Município. Embora não tenham sido escolhidos para a primeira incubação, eles passarão por uma nova análise conduzida por representantes do COR-Rio e da Secretaria Municipal de Transportes. A Prefeitura ainda não detalhou quais funções específicas cada uma dessas três soluções poderá oferecer ao sistema de mobilidade. A nova avaliação deverá verificar se os projetos possuem maturidade suficiente e se podem complementar a ferramenta que seguirá inicialmente para desenvolvimento. O aproveitamento de mais de uma proposta pode ser importante porque os impactos de um evento climático sobre o transporte não se limitam à circulação de um ônibus. Uma chuva extrema pode afetar diferentes bairros, interromper corredores viários, modificar trajetos e exigir decisões simultâneas em várias partes da cidade. Para quem está no ponto, dentro do coletivo ou tentando chegar ao trabalho, a demora na resposta pode representar horas perdidas. Também pode provocar gastos extras com outros meios de transporte, comprometer compromissos profissionais e dificultar o deslocamento de pessoas que não possuem alternativa ao sistema público.

Tecnologia deverá auxiliar decisões durante eventos adversos

A 8ª edição do Desafio COR reuniu soluções voltadas especificamente ao tema “Transporte Público e Eventos Climáticos Extremos”. A iniciativa foi organizada pelo COR-Rio, pela Secretaria Municipal de Transportes e pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento, o ITDP Brasil. A proposta é transformar dificuldades urbanas em problemas objetivos para que equipes técnicas desenvolvam ferramentas capazes de melhorar a resposta da cidade. Nesta edição, o foco foi a relação entre mobilidade, transporte coletivo e os impactos provocados pelas mudanças no clima. Para Lorena Freitas, gerente de Projetos do ITDP Brasil, as ferramentas apresentadas podem facilitar a tomada de decisão do poder público em situações adversas. Ela também relacionou a melhoria da qualidade operacional à necessidade de recuperar passageiros para o transporte coletivo. Esse ponto é decisivo para a rotina de quem deixou de confiar no ônibus por causa da demora, da falta de previsibilidade ou das dificuldades encontradas quando a cidade enfrenta um evento fora da normalidade. A tecnologia, porém, não substitui investimentos em drenagem, manutenção viária, renovação de frota, infraestrutura dos corredores e comunicação direta com os usuários. Ela pode funcionar como uma ferramenta de planejamento e resposta, desde que os dados gerados resultem em decisões rápidas e perceptíveis para quem depende do serviço. A iniciativa contou com representantes da Companhia de Engenharia de Tráfego, da Companhia Municipal de Transportes Coletivos, da Secretaria Municipal de Transportes e de outras instituições ligadas à mobilidade e à inovação. A Busvision terá agora um período para concluir os ajustes necessários. Caso a plataforma atinja a maturidade operacional exigida, poderá ser integrada às atividades do COR-Rio e da Secretaria Municipal de Transportes. Até lá, o principal desafio será transformar os protótipos apresentados em soluções que funcionem nas ruas e reduzam, de forma concreta, a espera e a incerteza enfrentadas pelos passageiros quando a chuva altera a circulação da cidade.

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